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Não é por aí

Celso Ming

27 de maio de 2011 | 19h40

Foi como técnico de lutador que jogou a toalha no ringue e admitiu a derrota.

Na última quinta-feira, em São Paulo, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, mostrou-se decidido a não alimentar ilusões. Perante 400 empresários e líderes sindicais, ele afirmou que “a questão do câmbio não tem solução…”. E ainda acrescentou: “… a curto prazo”.

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Pimentel. Jogou a toalha (FOTO: ED FERREIRA/AE)

Esse “a curto prazo” não passa de um rabicho inútil. Melhor seria se tivesse dito: “Não tem solução à vista”. Pimentel foi aquele que assumiu seu posto em janeiro prometendo pronta recuperação da competitividade do produtor brasileiro. Mas o dia a dia vai mostrando que, na prática, a teoria é outra.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é aquele que, quando trata do assunto câmbio, também sugere que a qualquer momento os grandes bancos centrais deixarão a atual política de dinheiro barato e colocarão em marcha a chamada estratégia de saída, por meio da qual passarão a revender os trilhões em títulos públicos que dormem em suas carteiras. Então, os juros subirão e o que hoje é tão farto passará a ser bem mais escasso.

O problema é que não há nenhuma perspectiva de que isso ocorra em 2011 e há uma boa probabilidade de que não aconteça nem mesmo em 2012. Os países ricos estão afundados em dívidas impagáveis e, se de alguma maneira os grandes bancos centrais reduzirem o mercado para esses títulos, ficará ainda mais difícil encontrar cobertura para tanto passivo.

O único fator que poderia provocar uma reversão nessa política seria uma importante disparada da inflação global. Houve momentos em que a alta dos alimentos e do petróleo no primeiro trimestre deste ano sugeria que a inflação ficaria solta demais e que os grandes bancos centrais teriam de começar a agir. Mas não há sinal consistente de que isso possa acontecer. A atividade econômica nas economias industrializadas continua fraca ou em retração (como acontece no Japão), o desemprego chega a níveis recordes, os movimentos das massas, especialmente na Europa, já refletem ampla indignação com os dirigentes políticos e, assim, vão se estreitando as portas em direção a uma alta dos juros lá fora.

Isso significa que o afluxo de dólares deverá continuar forte no Brasil. Há dois dias, Mantega admitiu que apenas os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) ultrapassarão neste ano os US$ 65 bilhões, 18% a mais do que vem projetando o Banco Central. E até mesmo esses números do ministro podem ser considerados conservadores. O desempenho das exportações, por sua vez, também está bem superior ao inicialmente previsto e as empresas brasileiras estão sendo encorajadas a captar mais e mais financiamentos externos de longo prazo.

Ou seja, apesar das restrições à entrada de moeda estrangeira, mais dólares e mais euros estão aportando no Brasil, concorrendo para manter achatada a cotação do câmbio interno. E tanto mais entrarão quanto mais se reforçar a percepção externa de que o desempenho da economia brasileira é substancialmente superior ao dos rastejantes países ricos.

A competitividade perdida da empresa brasileira tem de ser reencontrada não mais pelo ajuste do câmbio, mas pela redução do custo Brasil. Esse caminho pede menos impostos e infraestrutura mais barata. É uma equação que só poderá ser armada se o governo impuser a si mesmo uma ainda mais rigorosa disciplina fiscal.

CONFIRA

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No gráfico, o sobe e desce do dólar.

Gasolina mais cara. Como relata a correspondente da ‘Agência Estado’ em Buenos Aires, Marina Guimarães, a Petrobrás fez na Argentina o que não faz no Brasil: reajustou os preços dos combustíveis. A gasolina premium teve aumento de 0,2% e a super, de 2,9%. O reajuste do diesel foi de 2,2%.

Disfarce. Cresce a impressão de que uma parte do Investimento Estrangeiro Direto é dólar que entra para aplicação em juros sem pagar o IOF de 6%.

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