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O câmbio, novo custo

Celso Ming

19 de março de 2012 | 19h55

Há muito que os custos da indústria no Brasil são muito altos se comparados aos de outros países emergentes. No entanto, há alguns meses vinha sendo observado forte aumento desses custos com impostos, energia elétrica, logística e folha de pagamentos.

Também ficou claro que uma das saídas “naturais” da indústria nacional para enfrentar essa puxada dos custos foi recorrer a importações de insumos, matérias-primas, peças, componentes e conjuntos. (O gráfico mostra em que proporções isso aconteceu nos últimos quatro anos em toda a economia brasileira, não só na indústria. Veja, ainda, o Confira.)

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Tanto a avaliação da elevação de custos como a do crescente recurso às importações pela indústria variam de estudo para estudo, de consultoria para consultoria – divergência que deve ser considerada normal diante de um processo que está longe do fim.

De todo modo, já dá para verificar que, a partir do momento em que passou a importar a preços mais baixos do que tinha de pagar pelo produzido no mercado interno, a indústria passou a economizar mais em energia elétrica, logística, salários, instalações, capital de giro e, até mesmo, em impostos – apesar da elevação da carga tributária.

Quando atribuíram esse movimento de redução de custos à manobra destinada unicamente a tirar proveito do “câmbio fora do lugar”, tanto governo como dirigentes industriais insistiram demais na necessidade de desvalorizar o real (aumentar a cotação do dólar em real). A própria presidente Dilma Rousseff chegou a observar a interlocutores em Brasília, na semana passada, que “a indústria insiste em querer mais câmbio”, como se não manifestasse o mesmo empenho em ver reduzidos outros fatores de alta.

Esse processo de aumento do suprimento de importados pela indústria não é mais episódico, dependente da conjuntura. Cada vez mais, é resposta estrutural às mudanças da economia. Ou seja, para poder produzir a custos relativamente mais baixos e garantir capacidade de competição aqui e no exterior, a indústria ficou substancialmente mais dependente dos fornecimentos externos.

Por outro lado, à medida que força a mão na desvalorização cambial e insiste em aumento do conteúdo local – na tentativa de restituir certo grau de competitividade ao produto brasileiro –, o governo passou também a criar um fator adicional de custos para a indústria: o do encarecimento em reais dos fornecimentos externos – agora mais dificilmente substituíveis por produtos fabricados aqui.

Essa é uma das razões pelas quais o câmbio administrado – na expressão recentemente usada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega – também não pode operar com bandas informais muito elásticas. Se é verdade que o nível de R$ 1,80 por dólar se tornou o novo piso cambial, como alguns observadores entendem acontecer hoje, também é verdade que esse novo piso não deve ficar muito distante do teto virtual, pelo fato de o governo ter de cuidar, ainda, de não encarecer demais os atuais custos industriais.

CONFIRA

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A tabela mostra como aumentaram, em dez anos, as importações da indústria, conforme o nível de tecnologia.

Balança comercial. Os números do comércio exterior do Brasil neste início de ano continuam relativamente fracos. Em janeiro, houve déficit de US$ 1,3 milhão. Em fevereiro, superávit de US$ 1,7 milhão. E, nestas primeiras semanas de março, o superávit vai ficando mais forte, já é de US$ 728 milhões. É um início vacilante, mas que não deve se repetir à medida que as exportações de produtos agrícolas se intensificarem.