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O genérico, ainda caro

Celso Ming

25 de fevereiro de 2011 | 19h14

E desse aí, tem o genérico? Essa pergunta vem sendo feita cada vez mais frequentemente no balcão das farmácias brasileiras. Desde fevereiro de 1999, o consumidor pode optar por comprar o remédio de referência ou o genérico, que contém o mesmo princípio ativo, a mesma dosagem e sai mais em conta.

De fato, os genéricos são mais baratos do que as marcas originais e, por isso, conseguiram toda essa procura. Mas, poderiam ser bem mais e, no entanto, não são. Por quê?

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Por lei, os genéricos devem ser pelo menos 35% mais baratos do que o medicamento de referência. Na média, a diferença chega a ser de mais de 50%, de acordo com levantamentos do Procon-SP. A principal justificativa para o preço mais baixo é a de que o fabricante não precisa mais investir para desenvolver o produto. Com as fórmulas prontas, o processamento costuma ser mais simples.

Hoje, 98 empresas produzem genéricos no País. Para fazer com que as farmácias virem seus clientes, chegam a oferecer descontos em torno de 40% e 50% sobre o preço de varejo. Mas esse abatimento, no entanto, quase nunca é repassado ao consumidor final. Uma pesquisa do Procon-SP, realizada em novembro do ano passado, demonstrou que os preços dos medicamentos genéricos chegam a apresentar variações de mais de 1.000% de uma farmácia para outra.

Sérgio Mena Barreto, presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), defende o setor: “Os laboratórios não dão desconto para quem compra dez unidades. Dão para quem adquire milhares de uma vez só. E aí não são todos os estabelecimentos que têm capital de giro para bancar a compra de produtos que vão permanecer estocados durante meses”. Apesar disso, garante ele, algumas redes de drogarias chegam a vender com mais de 70% de desconto.

Antonio Barbosa, presidente do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum), lembra que aproximadamente 90% das matérias-primas utilizadas na fabricação de remédios têm de ser importadas. “Quando o dólar foi às alturas durante a crise mundial, no final de 2008, a indústria farmacêutica alegou que tinha de aumentar os preços para absorver o custo cambial. Mas agora que a cotação do dólar está na casa do R$1,60, ninguém se lembra de baixá-los.”

Para o governo, remédio é uma mina de ouro. Cerca de 36% do preço final, seja do genérico ou não, é imposto. Uma redução da carga tributária nesse segmento poderia ser uma decisão importante de política de saúde.

De acordo com a Pró Genéricos, associação dos fabricantes do setor, foram comercializados no ano passado 444,3 milhões de unidades de remédios genéricos – cerca de 21% de todos os medicamentos vendidos no Brasil –, movimentando R$ 6,2 bilhões. Em 2005, não passavam de 11,4% (como está no gráfico).

O barateamento do genérico esbarra em outro problema. Embora este pareça um segmento onde a concorrência é alta, apenas dois laboratórios – Medley e EMS – detêm nada menos que 65% do mercado total. Ou seja, vai pintando aí uma situação de monopólio. /COLABOROU ISADORA PERON

CONFIRA

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O peso das commodities. Em 12 meses, a variação do IGP-M já está em 11,3%. E está tão alta porque incorporou a disparada dos preços das matérias-primas, especialmente das commodities agrícolas. Como ninguém espera que essa disparada continue, também dá para apostar em que, daqui para frente, o IGP-M volte ao antigo leito do rio.

Impacto. Em todo o caso, como o IGP-M reajusta a maioria dos contratos habitacionais, financiamentos e aluguéis residenciais, seu impacto no IPCA (custo de vida) será forte.

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