O Itamaraty em questão

A política externa esteve voltada mais para o modelo bolivariano de relações internacionais, especialmente com vizinhos, do que para expansão e defesa dos interesses econômicos do Brasil

Celso Ming

28 de abril de 2016 | 18h16

O senador José Serra pode até não ser sacramentado como ministro das Relações Exteriores, mas está claro que nessa área há muita coisa a mudar.

A presidente Dilma não gosta do Itamaraty, mas é um equívoco dizer que seu governo não tem política externa. Tem sim e esteve voltada mais para o modelo bolivariano de relações internacionais, especialmente com vizinhos, do que para expansão e defesa dos interesses econômicos do Brasil.

A maneira como conduziu o Mercosul foi desastrosa. Ateve-se a aceitar bovinamente a retranca dos hermanos argentinos e nisso fez o jogo da presidente Cristina Kirchner, também desastroso. Hoje os tratados do Mercosul são um lençol esburacado. Foi desenhado para ser uma união aduaneira (o que pressupõe política comercial unificada), mas não consegue ser nem uma área de livre comércio, o primeiro estágio de uma integração entre países.

Quando a maioria dos países mais importantes se lançou à negociação de acordos comerciais destinados a garantir acesso preferencial a seus produtos de exportação, o Brasil preferiu insistir nos trâmites multilaterais, hoje sem futuro. As autoridades do PT não gostam de liberação do comércio. Optaram decididamente pelo protecionismo. Entenderam que a liberação do comércio global é abrir as portas do País para mercadorias importadas, sem levar em conta que a economia fechada tira, como tirou, competitividade do setor produtivo e enfraqueceu o País, em vez de proteger. Essa foi uma das causas da desidratação da indústria.

A pressão mais recente do governo Dilma sobre o Itamaraty foi pretender que coordenasse grande movimento global contra o impeachment, como se as Relações Exteriores fossem um organismo de governo e não de Estado. Boa parte da confusão original passa por aí.

 

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