Óleo pesado

Óleo pesado

Nesta segunda-feira, os preços do barril de petróleo caíram ainda mais no mercado internacional

Celso Ming

08 Dezembro 2014 | 21h00

Quem disse que petróleo não afunda. Nesta segunda-feira, os preços caíram ainda mais no mercado internacional. Desde novembro, já acumulam um tombo de 22% no tipo Brent, negociado em Londres, e de 19% no WTI, negociado em Nova York. (Veja o gráfico abaixo.)

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Alguns analistas apostam na duração relativamente curta desse período de baixa. Avisam que a qualquer momento a Opep pode rever a decisão tomada no dia 27 de novembro de não reduzir a produção, porque a queda de receitas tende a prejudicar suas finanças e obrigá-la a cuidar da vida.

A outra ponderação é a de que a estratégia da Opep, ou mais particularmente a da Arábia Saudita, é alijar do mercado os produtores oportunistas que tiraram proveito dos preços acima de US$ 100 por barril para despejar petróleo produzido a custo alto.

Seja como for, dois fatores conspiram para que essa baixa tenha duração relativamente mais longa. O primeiro é a própria estratégia da Opep, que exige tempo para que produza efeito. Uma empresa não tampa um poço e remove toda a parafernália por alguns meses de baixa. E essa circunstância deve ter sido levada em conta. O segundo é o fato de que até mesmo o óleo para entrega para daqui a mais de um ano está sendo negociado aos atuais preços, de US$ 66 por barril.

As incertezas quanto à duração desse período de baixa tendem a provocar insegurança e a adiar decisões de investimento, especialmente nas áreas de maior risco. E essa pode ser a primeira conseqüência.

Outro impacto acontecerá em termos da transferência internacional de renda. No atual nível de preços, os importadores de petróleo deverão deixar de gastar alguma coisa entre US$ 1,2 trilhão e US$ 1,5 trilhão por ano. É renda que será subtraída dos exportadores. Trata-se de novo empurrão ao aumento da atividade econômica, especialmente na Europa, no Japão e na China.

Na medida em que a baixa tende a transferir-se para os preços da energia, espera-se, também, um realinhamento das relações de competitividade da indústria ao redor do mundo e, portanto, nas exportações de industrializados. E isso não é tudo, porque as moedas vão dançar umas em relação às outras.

Nem um pouco desprezível tende a ser, também, o impacto sobre o nível geral dos preços. Os países avançados, que vivem um período de tendência à deflação, devem agora enfrentar nova onda de baixa a partir da queda do custo da energia. É fator que terá de ser levado em conta pelos grandes bancos centrais na definição das políticas de juros. Nesta segunda, o HSBC advertiu que os novos preços do petróleo poderão adiar a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de elevar os juros.

Finalmente, as novas incertezas que tomarão o mercado do petróleo e da energia, as mesmas que adiarão projetos de investimento, tendem agora a derrubar também os preços e as encomendas de equipamentos de petróleo: sondas, plataformas, navios, válvulas, dutos, etc.

Os fatores mencionados acima devem ter forte impacto também aqui no Brasil nas áreas do petróleo, do etanol, do biodiesel e da energia. Essa avaliação fica para a Coluna de amanhã.

CONFIRA:

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Desde novembro, as cotações das ações preferenciais da Petrobrás caíram 22,5%. Veja a curva da queda.

Escassez
Neste momento, só não há falta de energia elétrica no Brasil porque todas as térmicas estão operando. Ou seja, a economia vive um quadro de escassez, mesmo com um crescimento do PIB que poderá ficar em 0,5%. Qual não seria, então, a escassez de energia elétrica se o PIB crescesse à velocidade de 3,0% ou 3,5%? Em outras palavras, a oferta insuficiente de energia elétrica impõe graves restrições ao crescimento econômico.

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