Possível socorro à Grécia não poderá ser chamado de socorro

Celso Ming

10 de fevereiro de 2010 | 13h29

Hoje à tarde deve sair alguma novidade em relação a um pacote de socorro à Grécia. Um dos problemas é que isso tem de ser um socorro sem que se chame de socorro. É como ter focinho de cachorro, orelha de cachorro, rabo de cachorro e o resto de cachorro… e não ser cachorro.

Não há escapatória para os países centrais da área do euro senão providenciar um pacote salvador. Não dá para deixar o euro abandonado à própria sorte. O socorro não pode servir de precedente nem de regra. Mas sobre como fazer isso aparentemente não haverá consenso fácil.

Ele não pode servir de precedente nem de regra porque a área do euro não pode passar a impressão para fora e, principalmente, para dentro de que, apesar das ameaças e proibições, qualquer indisciplina fiscal será sempre recompensada.

Em todo o caso, num pacote salvador assim, será sempre questionada a criação do tal risco moral. É o mesmo que aconteceu com os bancos, que pintaram e bordaram e, quando a situação patrimonial ficou insustentável, veio o socorro do céu. Nessas condições, para quê dar-se a tanto trabalho e a tanto sacrifício, especialmente político se, na hora H, tudo se resolve, para o bem de todos e salvação do povo.

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