Recuo da inflação

Há uma clara tendência de baixa da inflação, mas não dá para afirmar que não voltará a subir, porque as contas públicas estão em desordem

Celso Ming

25 de abril de 2016 | 14h11

Pela primeira vez desde janeiro, o mercado passou a trabalhar com inflação abaixo de 7,0% ao fim deste ano.

A Pesquisa Focus, por meio da qual o Banco Central faz o levantamento semanal das projeções com que trabalham economistas, consultores e analistas, apontou nesta segunda-feira, 25, a estimativa de variação do IPCA (acumulada em 12 meses) de 6,98% em dezembro.

Há uma clara tendência de baixa da inflação, determinada por um conjunto de fatores negativos: recessão, desemprego e queda de renda, que vêm derrubando a demanda. É um jogo de forças que desestimula a remarcação de preços, na medida em que aumenta o risco de encalhe de mercadorias e a procura de serviços.

Não dá para afirmar, no entanto, que a inflação não voltará a subir, porque as contas públicas estão em desordem e sua recuperação será lenta. E esta é uma situação que pode puxar os preços para cima. Em todo caso, melhor pensar como o movimento dos Alcoólicos Anônimos: as recaídas fazem parte do processo de recuperação.

 

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