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Remédio pior que a doença

Celso Ming

24 de maio de 2011 | 19h45

São tão complicados os problemas econômicos da periferia do euro (Grécia, Portugal, Irlanda e os que ainda couberem no mesmo saco) que os políticos se perguntam, com insistência cada vez maior, por que esses países não abandonam de uma vez o euro e não começam com sua vida repassada a limpo e moeda própria.

É que esse remédio tende a matar mais rapidamente do que faria a própria doença. Tome-se o caso da Grécia. A única vantagem que seu primeiro-ministro, George Papandreou, teria em decidir por uma volta à dracma seria aplicar forte desvalorização da moeda própria em relação ao euro para que os produtos e os serviços do país voltassem a ser competitivos e as exportações aumentassem. Mas o preço seria mais inflação, porque o importado ficaria muito mais caro.

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Papandreou. Sem saída (FOTO: YIORGOS KARAHALIS/REUTERS)

O problema mais grave é que a dívida hoje impagável da Grécia está em euros. Se a dracma fosse emitida valendo metade do euro, a dívida bruta que hoje é de 324,6 bilhões de euros seria de 649,2 bilhões de dracmas. Enquanto isso, o PIB, o salário e a aposentadoria encolheriam e complicariam o pagamento da dívida. Por isso, esse passivo também teria de passar pelo facão da reestruturação. Uma vez passado o calote, os credores – ou seja, os bancos – correriam o risco de quebrar. Mais ainda: na condição de inadimplente, a Grécia ficaria por anos e anos alijada do mercado financeiro. (A Argentina até agora não voltou.) Sem financiamento de seus rombos orçamentários, o governo grego teria de trabalhar com déficit zero. Ou seja, teria de aplicar uma política fiscal provavelmente mais dura do que a de hoje.

Mas o maior problema talvez viesse em seguida, com a gigantesca operação de conversão de valores em euros para dracmas. As empresas e as pessoas têm seu patrimônio em euros. A corrida aos bancos seria inevitável, para sacar depósitos e aplicações em euros. A solução seria aplicar o corralito, como o imposto aos argentinos quando do fim do plano de convertibilidade do peso ao dólar, em dezembro 2001. Isso significaria formação de filas e agendamento para sacar os recursos, que ficariam congelados sabe-se lá por quanto tempo. Empresas e pessoas físicas teriam de adiar o resgate de suas dívidas e de suas contas e, assim, todo o sistema de pagamentos correria o risco de ficar paralisado. A recessão seria inevitável. Além disso, as empresas teriam de refazer seus balanços, agora em sua nova moeda. E os patrimônios dos fundos de investimento e de pensão seriam recalculados.

Mas os problemas não terminariam aí. Se tudo isso acontecesse com a Grécia, seria inevitável, também, que outros países em situação parecida corressem o risco de passar pela mesma situação. E aí tenderia a aparecer outra consequência séria: o efeito contágio.

Até aqui foram mencionados apenas certos problemas econômicos decorrentes de uma volta de um país-membro do euro à sua própria moeda. Falta considerar os políticos. Se a população não está suportando os atuais sacrifícios, como reagiria ela se lhe fossem impostos os acima mencionados?

Quando os alemães não suportaram a sobrecarga que lhes foi imposta pelo Tratado de Versalhes, surgiu um líder que instaurou o regime nazista na Alemanha e colocou em marcha a 2.ª Guerra Mundial.

CONFIRA

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Aí está a volátil trajetória das cotações do ouro em maio. Apesar da baixa acumulada no mês, de 2,4%, o ano apresenta uma alta de 7,3%.

Piorou ou melhorou? A decisão anunciada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, de colocar a dívida brasileira em perspectiva positiva para promoção na tabela de risco, chega numa hora em que os números da economia pioraram em relação aos de dois anos atrás: a inflação tende a escapar da meta, os juros e o rombo das contas públicas são mais altos e o PIB deve desacelerar.

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