Robôs voadores

Robôs voadores

Os veículos aéreos não tripulados (vants), conhecidos também como drones, vieram para mudar muita coisa

Celso Ming

20 Dezembro 2014 | 16h00

Robôs voadores vão inspecionar linhas de transmissão de energia elétrica no Brasil. Hoje esse monitoramento é realizado por meio de helicópteros tripulados que voam a baixa altitude, com altos custos e altos índices de acidente.

Os veículos aéreos não tripulados (vants), conhecidos também como drones, vieram para mudar muita coisa. Dotados de câmeras de alta definição e autonomia de voo de até três horas, os vants podem captar falhas no isolamento dos cabos, excessiva proximidade da vegetação, roubos de equipamentos e outros tantos problemas recorrentes no sistema.

Vants. Regulamentação vem aí. (Foto: Divulgação)

Vants. Regulamentação vem aí. (Foto: Divulgação)

Em desenvolvimento desde 2010 pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife e pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o projeto prevê para 2018 o início do monitoramento por esses robôs dos quase 20 mil km de linhas de transmissão da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).

Por enquanto, os técnicos trabalham com dois modelos, de 25 kg e 50 kg, com cerca de 4 metros de comprimento de uma ponta a outra da asa. Além da câmera de alta definição, essas aeronaves levarão câmeras sensíveis à luz infravermelha capazes de identificar excesso de calor num isolador e, a partir daí, permitir a imediata substituição do equipamento.

“O projeto tem por objetivo a realização de inspeções muito mais frequentes, a custos bem mais baixos e, principalmente, com mais segurança. Um piloto em solo acompanhará todo o voo programado, podendo intervir a qualquer momento”, explica Geraldo José Adabo, professor da divisão de Engenharia Eletrônica do ITA e coordenador do projeto.

O monitoramento de linhas de transmissão é só um dos exemplos de uso que os vants começam a proporcionar em todo o mundo. Se antes essas microaeronaves eram utilizadas estritamente para fins militares, hoje suas aplicações se espalham: proporcionam maior eficiência na pulverização de defensivos agrícolas, mapeiam terrenos para a construção de estradas, monitoram o trânsito nas cidades e as condições climáticas.

Os preços dos drones disponíveis no mercado variam de acordo com o tamanho, o peso e a tecnologia envolvida. Os mais comuns podem ser encontrados por alguma coisa entre R$ 5 mil e R$ 300 mil. Há modelos desde 2 kg até 100 kg.

Nos Estados Unidos, o uso comercial dos vants ainda está proibido. A Associação de Sistemas de Veículos Não Tripulados Internacionais (AUVSI), estima que, a partir da liberação, o impacto econômico da utilização dessas aeronaves poderá atingir US$ 82 bilhões em dez anos, com potencial para a criação de 103 mil empregos.

No Brasil, a agricultura já se destaca como um dos principais palcos de atuação. Hoje, cerca de 200 drones sobrevoam as lavouras para medir o alcance das pragas e para melhorar a aplicação de fertilizantes.

No entanto, diferentemente do que acontece na Austrália, na França e na África do Sul, a falta de regulamentação da matéria pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vem prejudicando o desenvolvimento do setor, onde já atuam cerca de 20 montadores.

“Por falta de regulamentação, certas empresas que já experimentaram a tecnologia e provaram suas vantagens estão desistindo de avançar. É o nosso principal empecilho”, reclama Ulf Bogdawa, engenheiro mecânico e diretor da Skydrones, empresa de Porto Alegre que fabrica vants.

A proposta de regulamentação de operações dessas aeronaves deve seguir para processo de audiência pública até o 1.º semestre de 2015, conforme admite a Anac.

Não há no Brasil nenhuma restrição a compras de vants por pessoas físicas, instituições ou empresas. No entanto, a operação desses aparelhos depende de autorização caso a caso. Hoje, em todo o País, apenas sete dessas aeronaves contam com essa autorização. Mas isso não impede que milhares de drones civis estejam voando por aí.

“Isso não tem volta, é uma tecnologia que está mudando o uso da imagem aérea. O custo de operação e manutenção de um drone é muito menor do que o de um helicóptero”, observa o pesquisador Lúcio de Castro Jorge, coordenador de pesquisas com drones da Embrapa Instrumentação. / COLABOROU LAURA MAIA