Rombos dos países mais frágeis do euro são mais profundos

Celso Ming

22 de abril de 2010 | 13h29

Os mercados financeiros têm hoje mais um dia de mau humor porque o que já se suspeitava se confirmou. Os rombos dos países mais frágeis da área do euro são mais profundos do que os admitidos até aqui.

O déficit orçamentário da Grécia no ano passado, por exemplo, foi de 13,6% do PIB e não de apenas 12,7% do PIB, como seu governo vinha admitindo até agora. Também apresentam déficits bem maiores a Irlanda, a Espanha e Portugal. A revelação foi feita hoje pela Eurostat, o organismo encarregado das estatísticas da União Europeia.

Por conta dessas más notícias, os mercados vieram abaixo. O euro caiu para US$ 1,33; as bolsas do mundo inteiro mergulharam e um sentimento de aversão ao risco voltou a tomar conta dos mercados.

Aí tem duas coisas. Tem o fato de que algumas contas só ficam mais claras após uma apuração mais rigorosa. E tem também o fato de que a Grécia e um punhado de países da Europa vinham escondendo, ou até mesmo fraudando, suas estatísticas, como se confirmou no caso da Grécia.

A revelação de que a situação financeira da Grécia é pior do que se imaginava lança novas dúvidas sobre os programas de austeridade adotadas pelo governo de Atenas. Além disso, dificulta e encarece o levantamento de recursos no mercado financeiro para dar cobertura à insuficiência de recursos.

Enfim, vai ser preciso mais algum tempo até que os mercados digiram essas novas más notícias.

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