Salto do crédito reflete ajuste nas contas públicas

Celso Ming

27 de julho de 2010 | 13h36

O crédito continua em franca expansão no Brasil e é um dos fatores que respondem pelo bom desempenho da economia até aqui, neste ano.

Em junho, as operações de crédito da rede bancária aumentaram 2% em relação a maio. No período de doze meses terminado em junho, o crédito cresceu quase 20%.

A mais forte aceleração está acontecendo no segmento do crédito para compra de casa própria. Aí, apenas em junho, o crescimento foi de 3,6%. Mas, em doze meses, houve um avanço de mais de 50%.

O salto do crédito reflete, também, certo ajuste nas contas públicas. No tempo da inflação, por exemplo, o crédito não avançava no Brasil porque o Tesouro absorvia a maior parte da poupança. Ia quase tudo para garantir o aumento da dívida pública que, por sua vez, tratava de dar cobertura às despesas do governo.

A partir do momento em que todo o setor público passou a fazer um certo superávit, ou seja, a partir do momento em que o setor público começou a deixar uma sobra de arrecadação para pagar a dívida, o Tesouro deixou espaço para o setor privado e, nessas condições, os bancos passaram a emprestar dinheiro para empurrar a produção para o consumo e para a construção civil.

E isso significa que a economia brasileira começa, também por aí, a ficar mais parecida com as economias dos países mais avançados.

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