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Solução adiada

Celso Ming

21 de maio de 2011 | 16h30

A comemoração do governo pela queda dos preços do álcool, em 3,5% nestas primeiras semanas de maio, são prematuras. Não há nenhum problema definitivamente resolvido.

A produção de álcool nesta safra de cana-de-açúcar, que começou em maio e deverá prolongar-se até dezembro, deverá atingir os 27 bilhões de litros, apenas 0,4% acima da produção da safra anterior. E, no entanto, o consumo cresce a mais de 5% ao ano. Ou seja, mais escassez e mais distorções estão sendo plantadas agora e serão colhidas em 2012.

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Para entender o que está em jogo, é preciso avaliar melhor o comportamento do mercado do etanol. Em 2011, cerca de 70% desses 25 bilhões de litros corresponderão ao álcool hidratado, aquele que vai para os tanques de combustível sem adição à gasolina. Os outros 30% são de álcool anidro, o que vai misturado à gasolina à proporção que hoje é de 25%.

Em princípio, o volume de consumo de álcool hidratado depende dos preços. Como rende energia correspondente a apenas 70% do rendimento da gasolina, sempre que os preços do álcool ultrapassarem os 70% do preço dela o consumidor tenderá a abastecer seu carro flex não com álcool. Isso significa que os preços do álcool hidratado são regidos pelos preços da gasolina.

O problema está nos 25% de álcool anidro. Se houver escassez e os preços do álcool anidro subirem como subiram neste início do ano, será inevitável que a própria gasolina também encareça nos postos de combustíveis, pois a mistura ficou mais cara em consequência da alta do álcool. Conforme relata Marcos Jank, presidente da Unica, entidade que reúne o maior grupo de usineiros, a proposta hoje em exame é a de que as distribuidoras apenas possam comprar gasolina se já tiverem asseguradas suas disponibilidades de álcool anidro para mistura. No entanto, mesmo se essa proposta vier a ser acatada, é preciso garantir produção.

Alguém poderia dizer que bastaria que o governo mantivesse achatados os preços da gasolina no varejo para que os do álcool hidratado permanecessem relativamente baixos e garantissem, assim, o controle da inflação. No entanto, a principal causa da relativamente baixa de produção de álcool não é o eventual desvio de matéria-prima (caldo de cana) para a fábrica de açúcar, mas o estancamento da produção de cana-de-açúcar. As margens do produtor estão caindo e ele não vem sentindo interesse em ampliar sua massa verde, especialmente se a soja e o milho vêm rendendo mais.

Isso significa que uma das condições para aumento dos investimentos no plantio de cana-de-açúcar e na produção de álcool é o aumento dos preços da gasolina, para que o consumidor não troque o álcool por ela.

Ainda assim, a especialista Amarillys Romano, da Tendências Consultoria, avisa que não há providências para que esse problema seja resolvido pelo menos a longo prazo. Até 2020, argumenta, a capacidade de processamento de cana-de-açúcar deve saltar de 640 milhões de toneladas para 960 milhões de toneladas. E, no entanto, abaixo de 1,4 bilhão de toneladas, a demanda brasileira não será satisfeita sem investimentos progressivo.

CONFIRA

Enquadramento. A Securities and Exchange Commission (SEC, xerife do mercado de ações dos Estados Unidos) está empenhada em aprovar novas normas de funcionamento às agências de classificação de risco, como Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch. Mary L. Schapiro, presidente da SEC, avisou que quer ajudar investidores a “melhor entender e avaliar classificações”, aponta o ‘New York Times’.

Alvo certo. O objetivo é evitar conflitos de interesses. Para isso, o analista de determinada emissão deve ser proibido de comercializar serviços para o mesmo banco ou empresa que emitiu esse título. E todos os analistas seriam avaliados periodicamente com custos arcados pelas agências.

Nota vermelha. Desde o início da crise de 2008, essas agências são acusadas de atestar excelência a títulos considerados, pouco tempo depois, lixo tóxico. Chegaram a ser chamadas de “engrenagens essenciais da roda da destruição financeira”.

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