Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Somos 7 bilhões

Celso Ming

29 de outubro de 2011 | 16h30

Amanhã seremos 7 bilhões de seres humanos. E o bebê recordista tem tudo para ser um dos 51 nascidos por minuto em Uttar Pradesh, na Índia. A humanidade chegou ao primeiro bilhão em quase 120 milênios, no século 19; em mais dois séculos atingiu 6 bilhões, em 1999; e demorou somente 12 anos para completar o sétimo bilhão.

As projeções das Nações Unidas (ONU) impressionam. Mantido o atual índice de natalidade de 2,5 filhos por mulher, como mostra o gráfico, em 2050 o Planeta abrigará 10 bilhões de pessoas e em 2100, quase 16 bilhões.

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Alguns analistas aplicam a essa evolução o termo bomba demográfica. O demógrafo José Eustáquio Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, no entanto, vê no adjetivo crítica indevida, à medida que a enorme multiplicação de gente resulta de objetivos positivos fortemente perseguidos: queda da mortalidade infantil e aumento da expectativa de vida (30 anos, em 1900; 69, hoje). Mas não dá para ignorar o acirramento de dificuldades atreladas ao surgimento de tantos novos consumidores.

Uma delas é exposta pela divisão para Agricultura e Alimentação (FAO) da ONU: há 925 milhões de famintos no globo, quase cinco Brasis. Os preços dos alimentos saltaram 250% em 11 anos (veja no Confira) e devem subir mais. Para a FAO, a nova demanda exigirá a expansão da oferta mundial em 75% até 2025. E isso só se fará com enormes investimentos.

Hoje já são 2,8 bilhões os que enfrentam séria falta de água doce. Além disso, pelos estudos da ONU, 1,4 bilhão se abastece de volume maior do que a capacidade de reposição natural dos reservatórios. Assim, em 2025, dois terços da humanidade teriam o abastecimento comprometido.

O que se passou com o petróleo talvez seja boa base de comparação. Em 1973 a cotação do barril ainda oscilava na casa dos US$ 3. Hoje, gira em torno dos US$ 100 e influencia a alta dos alimentos. Não renováveis, suas reservas mínguam e, há décadas, geram graves conflitos. A partir daí se pode imaginar o que virá se a água potável se tornar insumo ainda mais raro.

A ordem bíblica “crescei, multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a” prevaleceu até Thomas Malthus (século 18), primeiro a questionar o equilíbrio entre expansão demográfica e produção de alimentos. Desde então, novas técnicas e a revolução verde proclamada nos anos 30 buscaram desmentir esse e outros determinismos da escassez. Mas contestações ao malthusianismo não removeram a tensão atualmente levada ao paroxismo pelas ameaças do superaquecimento global.

A explosão populacional e seus desdobramentos não são o único fenômeno demográfico a provocar sérios impactos na economia mundial. O crescimento da população idosa, também. Hoje, em cada nove pessoas, uma tem mais de 60 anos; em 2050, será uma em cada cinco, aponta a ONU. Até lá, por exemplo, o Banco Mundial estima que o Brasil eleve gastos com aposentadorias de 11% para 16% do PIB.

Para obter reequilíbrio entre índices de natalidade e mortalidade, a ONU calcula que a média mundial de filhos por mãe teria de baixar de 2,5 para 2,1. Ainda assim, haveria estabilização demográfica apenas no século 22, quando os habitantes da Terra já fossem 10 bilhões. /COLABOROU GUSTAVO SANTOS FERREIRA

CONFIRA

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O gráfico acima mostra como evoluíram os preços dos alimentos em todo o mundo nos últimos 11 anos. Este índice é calculado pela FAO com base na média de cinco categorias alimentares: carnes, azeites e gordura, laticínios, cereais e açúcar. A tendência atual de alta reflete, principalmente, a forte esticada da procura, em consequência da inclusão de parcelas crescentes da população mundial no mercado consumidor. Mas parte dessa evolução também se atribui à desvalorização do dólar nos mercados – fator que passou a exigir mais dólares por unidade de alimento negociada.

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