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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

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Celso Ming

29 de setembro de 2014 | 21h00

No último Relatório Trimestral de Inflação elaborado pela atual diretoria do Banco Central (BC) não há indicação de que estejam a caminho decisões de política econômica capazes de reverter a inflação reconhecidamente renitente e espalhada demais.

Não há grandes mudanças na postura carregadamente rósea com que o BC e, mais do que ele, o Ministério da Fazenda descrevem o quadro atual. Examinada a conjuntura com a isenção possível, o que se vê é um conjunto de políticas insuficientemente compromissadas com a condução da inflação para a meta.

A política fiscal (administração de receitas e despesas do governo) é notória e reconhecidamente flácida. A política monetária é ambígua, uma vez que impõe juros altos para, em parte, compensar o expansionismo do crédito e a atuação perdulária dos bancos oficiais, especialmente o BNDES. E a política cambial se mantém intervencionista, também para compensar o jogo contra do resto do governo.

Abertura do XV Seminário Anual de Metas para a Inflação do Banco Central.

Hamilton. Não se confirmaram (FOTO:MARCOS DE PAULA/ESTADÃO)

O BC agora reconhece que o avanço do PIB deste ano não passará de 0,7%, nível abaixo do 1,6% apontado no Relatório de junho. Embora tenha contrariado o ministro da Fazenda, ainda parece um número otimista. Equivale a mais do dobro do crescimento de 0,29% apontado pela Pesquisa Focus, levantamento semanal feito pelo próprio BC com cerca de 100 instituições do mercado.

O Relatório também admite nova revisão para a evolução do investimento (Formação Bruta do Capital Fixo): o recuo deste ano em relação ao ano passado passou de 2,4% para 6,5%. E, no entanto, o governo Dilma mantinha até recentemente a aposta de que o investimento fixo cresceria. Para os 12 meses terminados em junho de 2015, o Relatório de Inflação projeta avanço do PIB de 1,2% e para o investimento, recuo de 2,4%.

Estes números decepcionantes do investimento são ainda mais preocupantes do que os que medem o desempenho da atividade econômica, na medida em que o investimento de hoje é a indicação do PIB de amanhã.

Fora do texto do Relatório, o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, reconheceu ontem que não se confirmou um dos mantras que apareceram nos documentos oficiais e nas entrevistas à imprensa. Durante meses, o BC repetiu que “se criam condições para que o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade no horizonte relevante para a política monetária”. Tradução: a gastança federal não tem impacto inflacionário.

Nesta segunda-feira, Hamilton admitiu que essa projeção não se confirmou. Apesar disso, tanto o Relatório como ele próprio, insistem em que a política fiscal não deverá produzir impacto inflacionário. É a linguagem do bêbado que, depois de prometer com pureza de alma não mais tomar o rumo do boteco, reconhece a contragosto que teve recaídas. Martela em que, “no horizonte relevante”, tudo será diferente. O diabo é que estamos no limiar de outubro e, no horizonte relevante, a diretoria do Banco Central será outra… quem acreditar que conte outra.

Depois que a presidente Dilma deixou claro que, enquanto estiver na Presidência da República, o Banco Central não terá autonomia, entenda-se que, em última análise, o volume de moeda na economia e, portanto, também seu preço (juros) serão determinados pelo Palácio do Planalto.

CONFIRA:

DOLAR29SET

 

Apesar da forte intervenção do BC, o dólar deu nesta segunda-feira mais um salto no câmbio interno, como o gráfico está mostrando. Em setembro, a alta acumulada, até esta segunda-feira, é de 9,32%.

O fator Dilma
A disparada do câmbio e o forte tombo da Bolsa refletem a reação do mercado ao aumento da probabilidade de vitória da candidata Dilma Rousseff.

Retificação
Erro na Coluna de domingo (‘O carro é o novo tabaco?’). Vão para a Argentina 75% das exportações brasileiras de veículos – e não 75% da produção.

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