Valorização da moeda chinesa só interessa aos EUA e países de alta renda

Celso Ming

17 de fevereiro de 2010 | 13h49

As autoridades do governo americano não perdem uma única oportunidade sequer de criticar a política cambial da China. Querem que ela valorize fortemente sua moeda em relação ao dólar. Isso acontece mais sistematicamente desde o primeiro governo Bush, mas, até agora, o governo chinês não tomou nenhuma providência relevante nessa direção.

É claro que a valorização da moeda chinesa, o yuan, só interessa aos Estados Unidos e aos demais países de alta renda porque, em princípio, trabalha na direção da redução das exportações da China para o resto do mundo. E, na medida em que as exportações chinesas perdessem espaço nos mercados mundiais por terem ficado mais caras, aumentaria a capacidade de competição do produto dos países de alta renda.

Mas, acima de tudo, a China não valoriza sua moeda porque simplesmente está em condições técnicas e políticas de não valorizá-la e de não ceder às pressões das potências do Ocidente. E pode mantê-la fortemente desvalorizada porque o índice de poupança da China é espantosamente alto, de nada menos que 51% do PIB.

Isso significa que o banco central da China pode seguir comprando os dólares do seu superávit comercial, que sobram no câmbio interno, sem ter de emitir moeda, ou seja, sem produzir inflação.

Então, uma coisa é pressionar a China para que valorize sua moeda e outra, bem diferente, é convencer a China a trabalhar contra seus próprios interesses numa situação em que pode perfeitamente sustentá-los.

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