A ameaça dos impostos

Cida Damasco

03 de agosto de 2016 | 17h03

Ninguém imaginava que levar adiante o ajuste fiscal seria um passeio. Mesmo que as metas fiscais “embutissem” algumas concessões aos setores atingidos – concessões que o próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem dito que “já estão na conta”.

Mas o que se viu nos últimos dias mostra bem a estreita margem de manobra do governo nesse campo. Principalmente nas negociações das dívidas dos Estados. Medidas de contenção de gastos, principalmente na área de pessoal, foram retiradas da proposta original para que ela avance no Congresso.

O que varia, nesse roteiro, é o papel que terão os impostos no ajuste. Sabendo que há uma fortíssima rejeição ao aumento de impostos – que o diga o “pato”, símbolo do lobby da Fiesp — , Meirelles tem insistido que essa será a última alternativa. Vem mais imposto “se” o teto para gastos públicos não for aprovado. Ou, num prazo mais longo, “se”  a reforma da Previdência não se materializar. Ou “se” a arrecadação não reagir conforme o previsto – melhor dizendo, conforme o desejado.

É verdade que o ministro procurou passar uma mensagem tranquilizadora, de otimismo, nesse aspecto. Ao mesmo tempo em que acenou com a possibilidade de elevação de impostos, Meirelles fez questão de destacar a evolução dos indicadores de confiança e do desempenho da indústria – no quarto aumento mensal consecutivo, a produção industrial cresceu 1.1% em junho – como sinais de que a arrecadação poderá reagir. Dessa forma, estaria reduzido o risco de apelar para mais impostos. Mais ainda: se for necessário, o aumento de impostos será pontual e temporário.

Dois recados foram dados com as declarações de Meirelles desta quarta-feira, a uma plateia de empresários e executivos.  O primeiro soa quase como uma “satisfação à sociedade”: o governo não está fazendo corpo mole no ajuste fiscal e o importante, no toma-lá-dá-cá com os Estados, é que eles se comprometam com um teto de gastos, seguindo o exemplo do governo federal. O resto faz parte da normalidade das negociações. O segundo é que aumento de imposto é difícil de engolir, mas faz parte do cardápio. E se for preciso…

 

 

 

 

 

 

 

 

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