A âncora do emprego

Cida Damasco

30 Dezembro 2016 | 13h01

 

Especialistas das mais variadas linhas de pensamento reconhecem que, enquanto a solução para o descalabro nas contas públicas não for pelo menos encaminhada, não há futuro para a economia brasileira. Para a população em geral, contudo, o desemprego é o sinal de alerta – um alívio nas dispensas, alguma melhora nas contratações e, por tabela, na remuneração da mão-de-obra dará a senha de que a economia brasileira estará de fato no rumo da retomada do crescimento.

Nesse sentido, as estatísticas divulgadas nesta semana funcionam como um balde de água fria para quem está ansioso pelo aparecimento desses sinais. Segundo o IBGE, no trimestre encerrado em novembro o País atingia um recorde que não merece nenhuma comemoração: 12,132 milhões de pessoas em busca de uma vaga, com um impressionante aumento de 3 milhões na comparação com um ano antes. No mesmo período, foram fechados 1,9 milhão de postos de trabalho. Quando se analisa a evolução dos empregos com carteira assinada, o quadro é o mesmo: uma redução de 850 mil vagas de janeiro a novembro e de 1,4 milhão em 12 meses.

Claro que a recuperação dos empregos virá bem mais à frente, depois que a reanimação da demanda já tiver garantido a ocupação da ociosidade das fábricas e da própria mão-de-obra. Só a confiança na continuidade dessa tendência vai estimular a redução dos níveis de desemprego. E a própria procura de novas ocupações, pelos desempregados – movimento que, no levantamento do IBGE, acaba inflando os números do desemprego. É exatamente por isso que alguns economistas já estimam que, antes de melhorar, o quadro do emprego ainda irá piorar, com um aumento de cerca de 1 milhão de empregados no primeiro semestre de 2017. São os trabalhadores que abandonam a fase do chamado “desalento” e saem de casa para tentar se recolocar no mercado.

Há, portanto, uma longa estrada a ser percorrida antes que a recuperação se consolide e principalmente antes que ela chegue à vida real das pessoas. Aí estará fechado o chamado ciclo virtuoso: menos desemprego, salários melhores, menos dívidas, consumo mais encorpado.