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À flor da pele

Cida Damasco

24 de maio de 2017 | 19h10

Se os mercados movem-se, no momento, principalmente com base nas expectativas de continuidade ou não das reformas constitucionais, é razoável supor que os acontecimentos em Brasília, na tarde desta quarta-feira, terão desdobramentos nos próximos dias.

As resistências às reformas e a tensão em relação ao seu andamento, exacerbadas após o terremoto JBS, já haviam ficado visíveis  na noite da terça-feira, com os tumultos ocorridos na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado, que impediram a leitura do relatório da reforma trabalhista – embora o presidente da comissão, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) tenha dado o documento como lido, após sua divulgação no meio digital, permitindo, assim, que a proposta vá em frente.

Durante o dia de hoje, a situação complicou-se muito mais, com a violência que explodiu em Brasília, durante protestos organizados pelas centrais sindicais contra reformas embalados pelo “fora Temer” – que resultou em depredações e ameaças de incêndio de prédios públicos e culminou com uma polêmica convocação das Forças Armadas para a guarda da Esplanada dos Ministérios. No Rio, também houve conflito entre manifestantes e a PM, durante a votação do aumento da contribuição previdenciária de servidores e pensionistas – de 11% para 14% –, ponto central do ajuste do Estado, que acabou sendo aprovado pela Assembleia Legislativa.

Os números ainda não mostram a contaminação do mercado por esse clima de instabilidade. A volatilidade continua, mas esta quarta-feira foi mais um dia de relativa estabilidade – uma pequena alta no dólar e uma alta no Ibovespa, com os investidores aproveitando boas ofertas de papéis e reagindo à ata do Fed, que reafirmou a alta gradual dos juros.

Ao que tudo indica, atentos ao emaranhado de negociações para a construção de um governo pós-Temer, os agentes dos mercados estariam confiantes de que, a menos de uma ruptura nesse cenário frágil, o caminho seria de manutenção da equipe econômica – ou pelo menos dos preceitos básicos da política econômica. Reformas, reformas e reformas.

A julgar pelos últimos acontecimentos, porém, é difícil imaginar que, mesmo que dê certo a tal transição negociada, esse roteiro seja cumprido com a rapidez desejada pelos mercados e sem grandes obstáculos. A normalidade no encaminhamento da pauta econômica no Congresso, que Temer esperava demonstrar nesta semana, inclusive para sinalizar a capacidade de reorganização do governo, não está se confirmando.  A ver até quando os mercados vão manter a crença de que será possível fazer uma “ação controlada” na economia. Com ou sem Temer.

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