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A Previdência na campanha

Cida Damasco

22 de janeiro de 2018 | 16h36

Tema explosivo, do qual políticos em geral preferem fugir. Mas, ao mesmo tempo, tema obrigatório para quem está na vida pública. A reforma da Previdência, que mesmo em sua versão minimalista dificilmente sairá nas datas sucessivamente previstas para este ano, terá de ser enfrentada pelo próximo governo, seja qual for.

O balanço da Previdência do ano passado, divulgado nesta segunda-feira, comprova o que todos sabem, mesmo aqueles que, por conveniência política, publicamente preferem um discurso diferente: o aumento do déficit é explosivo e, se nada for feito, poderá levar a um colapso nas finanças públicas.

O déficit da Previdência da União (juntando INSS e servidores) chegou perto de R$ 269 bilhões em 2017, com um aumento de 18,5% sobre o ano anterior. Nas contas específicas do INSS, o rombo foi de R$ 182,4 bilhões, uma alta de 21,8% em relação a 2017. E, no caso dos servidores, chegou a R$ 86,3 bilhões, com um avanço anual de 11,9%. Para este ano, a previsão do governo especificamente para o INSS é de um déficit de R$ 192,8 bilhões.

Como se pode ver, trata-se de um crescimento não só expressivo como também generalizado, observado em todos os componentes das contas da Previdência: rural, urbana, servidores civis, militares etc. e tal. E, em consequência, um indicador de que mudanças devem mesmo ser abrangentes — para que os efeitos sejam igualmente abrangentes, mas, antes de mais nada, por uma questão de justiça social.

Nessa quadra eleitoral, portanto, todos os candidatos ou aspirantes a candidatos têm pela frente o desafio de se posicionar em relação ao que fazer com a Previdência. Especialmente os que se situam nas fileiras oposicionistas. Afinal de contas, os candidatos mais ligados ao governo fazem justamente da reforma parte importante da sua plataforma eleitoral — mesmo incluindo algumas modificações. É o caso do ministro Henrique Meirelles, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e mesmo do governador Geraldo Alckmin.

Para os oposicionistas, será inescapável explicar ao eleitorado como deverão se mover nesse campo minado. Recorrer a novo estelionato eleitoral, renegando qualquer mudança nas aposentadorias durante a campanha para depois ceder às evidências e partir para reformas, parece fora de questão — tendo em vista a experiência altamente negativa da “metamorfose” de Dilma. Mas, “confessar” aos eleitores que serão forçados a negociar um novo regime de Previdência, também poderá custar muitos votos. Tarefa para gurus econômicos e estrategistas de marketing.

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