A semana promete. Lá fora e aqui dentro

Cida Damasco

09 de agosto de 2019 | 15h52

A economia começa a nova semana caminhando em dois trilhos. No interno, as atenções voltam-se para a tramitação da reforma da Previdência no Senado e principalmente para o encaminhamento das propostas de reforma tributária — tudo, como se vê, dentro das fronteiras do Congresso. No externo, as preocupações concentram-se na evolução da guerra comercial e cambial entre Estados Unidos e China e seus desdobramentos para os países coadjuvantes, como o Brasil. A grande dúvida é se — e quando — esses dois trilhos vão se cruzar.

Na semana passada, os dois trilhos mantiveram uma distância bastante razoável, com os mercados balançando sob efeito da resposta chinesa às provocações de Trump, especialmente as cotações do dólar, e a reforma da Previdência atravessando impavidamente a etapa decisiva da votação em segundo turno na Câmara.

Foram cinco dias de altos e baixos nos grandes indicadores dos mercados, despertando nos investidores o temor de repetição de outros momentos de turbulências internacionais, a exemplo da crise do subprime em 2008. No começo da tarde desta sexta-feira, porém, a Bovespa se aproximava dos 104 mil pontos, em comparação com pouco mais de 102 mil pontos uma semana antes. E o dólar, com uma ajuda lateral da queda do juro no Brasil, ficava perto de R$ 3,9, em confronto com os R$ 3,89 da sexta-feira anterior.

Não dá, porém, para contar com a manutenção desse quadro, caso Estados Unidos e China não acertem de fato uma trégua e continuem fazendo estragos mundo afora. Embora o Brasil mostre hoje barreiras consideráveis a um ataque cambial, principalmente um estoque considerável de reservas, o impacto sobre a economia real não é desprezível — a pauta comercial do País, fortemente apoiada em commodities, dificilmente ficará imune a um crescimento mais lento da economia mundial, como indicam todas as projeções.

É inegável, porém, que o quadro interno, sozinho, tem potencial para acirrar tensões. No o caso da Previdência, trata-se muito menos de acompanhar o que o Senado fará com o texto básico da reforma e muito mais o que acontecerá com a tal PEC paralela. Essa nova PEC será limitada à extensão das novas regras a Estados e municípios — o que já é uma “pedreira” — ou incluirá também o regime de capitalização? Pelas declarações recentes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não parece muito entusiasmado com essa segunda opção, embora não a descarte.

No caso da reforma tributária, agora é que as coisas começam a se definir — e também a se complicar. Até agora, a dianteira estava com a proposta de Bernard Appy-Baleia Rossi (MDB-SP), centrada na simplificação via criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), unindo tributos das esferas federal, estadual e municipal.  A semana, porém será dominada pela apresentação oficial da proposta do governo, com dois pontos altamente polêmicos, além da criação do chamado IVA federal: a criação de uma “espécie” de CPMF, no lugar da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos, e a reformulação do Imposto de Renda (IR), com a mudança na correção da tabela e o fim das deduções. É combustível para novas e inflamadas discussões. Com ou sem guerra cambial.

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