Ainda falta motor de arranque para o consumo

Cida Damasco

26 de dezembro de 2018 | 21h23

Em termos de consumo, 2019 está fechando estritamente dentro do roteiro. Vendas do comércio com aumento razoável em relação ao Natal do ano passado, mas nada capaz de indicar uma retomada firme dos negócios, como os indicadores de confiança do consumidor podem dar a impressão aos observadores. Mesmo considerando-se que as vendas da Black Friday, em novembro, anteciparam parte do movimento de fim de ano, os resultados estão longe de caracterizar um quadro de consumo forte.

As vendas dos shopping centers, por exemplo, registraram um aumento nominal de 5,5% no ano, mas descontando-se a inflação, a alta ficou em 1,7%, pouco abaixo dos 2% de 2017. Os números da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostram uma alta de 2,66% sobre 2017, depois de um acréscimo bastante parecido no ano anterior (2,13%) e de três anos seguidos de queda.

Só no caso específico do comércio eletrônico, pode-se dizer que o movimento deste fim de ano teve um avanço bastante significativo, mas é bom levar em conta que reflete uma adesão cada vez maior do mercado a esse canal de vendas, em substituição aos tradicionais — o aumento de vendas, incluindo as das promoções na Black Friday, chegaram a 13,5%.

Por enquanto, os indicadores de desempenho do comércio no fim do ano confirmam a continuidade da melhora gradual da atividade econômica. Mas bem mais gradual do que se acreditava até o início de 2018. Falta, sem dúvida, um motor de arranque para acelerar esse movimento. E principalmente para garantir a estabilidade da marcha.

A julgar pelas manifestações das entidades representativas do comércio sobre as perspectivas da economia para 2019 — assim como dos setores empresariais em geral — há uma expectativa de que o arranque virá com o novo governo. Faltam, porém, definições mais claras da equipe de Bolsonaro sobre os instrumentos que serão utilizados nesse processo.