Atividade econômica “volta” a abril, mas 2018 já está comprometido

Cida Damasco

15 Agosto 2018 | 13h08

Sem grande surpresa, a atividade econômica recuperou, em junho, até com um pouquinho de vantagem sobre estimativas que corriam no mercado, o que havia perdido em maio, com a desastrosa parada dos caminhoneiros. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) terminou o mês com uma alta de 3,29%, praticamente igual à queda do mês anterior (3,28%), confirmando o desempenho de indicadores setoriais divulgados pelo IBGE — indústria e serviços.

Uma leitura rápida desses números poderia até dar a impressão de que esse resultado mensal não é tão ruim assim, pois afasta o temor de que a economia não conseguiria sair do poço em que havia mergulhado em maio. Mas essa “melhora” tem de ser relativizada. Os primeiros sinais de julho não são favoráveis e mesmo os resultados acumulados até junho indicam que seria no mínimo ilusório contar com uma “retomada da retomada” até o fim do ano. No trimestre, o IBC-Br teve uma queda de 0,99%, no semestre houve uma alta de 0,89% e, em 12 meses, de 1,89%.

Incertezas políticas, que persistem a um mês e meio das eleições, e governo atual na lona fazem o pior tipo de combinação para animar a atividade econômica. Não há nem espaço fiscal nem vigor para lançar mão de uma agenda positiva, que consiga dar algum impulso à demanda. Ao contrário: ainda há 13 milhões de pessoas sem ocupação e a lenta queda na taxa de desemprego se dá com base na informalidade, o que não favorece a recuperação do consumo das famílias. O circuito do investimento, então, continua interrompido — sob influência direta do quadro político. Quem está disposto a ampliar e/ou renovar sua empresa, sem saber o que vem por aí a partir de 2019, se isso não for absolutamente necessário?

Embora o IBC-Br seja visto por muitos como uma prévia do PIB, as diferenças metodológicas entre os dois indicadores desautorizam uma correlação direta em prazos mais estreitos. O próprio BC recomenda levar em conta comparações anuais. Mas, mesmo com essas peculiaridades, o indicador serve para mostrar uma tendência, que acaba aparecendo também nos dados do PIB.

As apostas, agora, concentram-se no resultado do PIB no segundo trimestre. Tudo indica que será próximo do zero a zero, um pouco acima ou um pouco abaixo dessa marca. Para o ano, o intervalo mais aceito é o de 1% a 1,5% — lembrando-se que, nos últimos meses de 2017, chegou-se a falar até em um crescimento acima de 3%. Tirar a atividade econômica desse atoleiro, portanto, parece tarefa urgente para o novo governo. Urgente e complicada, diante das restrições fiscais que estão postas no caminho.