Boas e más notícias

Cida Damasco

31 de agosto de 2016 | 10h55

Como naquela brincadeira que se costuma fazer sobre temas corriqueiros, os resultados do PIB no segundo trimestre sugerem a seguinte pergunta: Vocês querem primeiro a boa ou a má notícia?

Vamos então começar pelas más notícias. A queda no trimestre foi pior do que se esperava: 0,6% em relação ao trimestre anterior e 3,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.  Os setores de serviços e agropecuária também tiveram desempenho negativo nos dois tipos de comparação.

E as boas notícias, perguntarão os mais otimistas? São duas: a indústria mostrou um leve crescimento (0,3%) sobre o trimestre anterior  — melhor falar em estabilidade — e os investimentos, importante indicador do que pode vir pela frente, exibiram o primeiro resultado positivo depois de 10 trimestres de recuo: 0,4%

Uma análise mais cautelosa dos novos números do PIB, no entanto, sugere que a verdade está no meio do caminho. Pode ser que a economia brasileira tenha alcançado mesmo o chamado fundo do poço. Aquele que foi tantas vezes anunciado, mas ainda não havia se confirmado. Mas tudo indica que a saída será muito difícil e muito lenta, para as necessidades do País.

O consumo das famílias continua em queda e não há sinais de que reaja tão cedo – os estragos do desemprego, por exemplo, ainda deverão se espalhar pelo mercado por um bom tempo. A melhora consistente das exportações, suficiente para vitaminar a produção industrial, está muito ligada ao câmbio e o cenário internacional ainda dá margem a algumas dúvidas sobre a valorização/desvalorização do real.

Há um enorme peso, portanto, sobre os investimentos. São eles que definirão para onde vai pender a balança daqui para frente. Com a palavra o governo, que deverá deixar mais claro com que velocidade e com que profundidade fará os ajustes na economia.