Caiu a ficha

Cida Damasco

14 Novembro 2016 | 16h51

Não há mais ilusões sobre a retomada do crescimento ainda em 2016. As expectativas do mercado, das empresas, dos políticos e do próprio governo convergem para uma “despiora” dos indicadores econômicos, na melhor das hipóteses. Aquela previsão de um iminente fortalecimento da atividade econômica ficou para trás.

O governo, que fazia fé num crescimento do PIB de 1,6% no ano que vem – pelo menos é isso que está sacramentado nos  Orçamento para 2017 – já estaria conformado com algo mais próximo de 1%. O mercado, segundo a pesquisa Focus divulgada esta segunda-feira (14), revisou sua previsão de crescimento para 2017 de 1,2% para 1,13%; e, para 2016, a queda esperada passou de 3,31% para 3,37%. Números que sequer configuram uma recuperação cíclica da economia, quanto mais uma retomada efetiva, com a qual muitos sonhavam.

O grande responsável, segundo avaliações mais recentes, é o furacão Trump. Com o potencial de estragos do novo chefe da Casa Branca no mercado internacional de câmbio e, consequentemente, na inflação, o Banco Central brasileiro tenderia a ficar mais cauteloso e jogar mais para a frente uma redução mais significativa da taxa de juros. A expectativa agora é de uma nova baixa de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, na próxima reunião do Copom, e não mais de 0,50 ponto. Os solavancos que têm atingido o mercado, nos últimos dias, refletem exatamente esse novo quadro. Esta segunda-feira, por exemplo, foi mais um dia marcado por volatilidade nas bolsas e dólar em alta.

É fato que ninguém imaginava um efeito imediato e poderoso da queda da Selic, a taxa básica de juros, sobre a atividade econômica. Acontece que, em plena crise fiscal e sem perspectiva de entrada de recursos de concessões e privatizações a curto prazo, a política monetária é o único instrumento com o qual o governo contava para dar algum impulso à economia. E, pelo visto, esse instrumento também não vai funcionar.