Conta de chegar?

Cida Damasco

16 de agosto de 2016 | 11h09

 

A meta de encerrar 2017 com um déficit fiscal de R$ 139 bilhões é a única imexível. O restante parece que vai se acomodando conforme as necessidades. E essas necessidades nem sempre estão no campo estritamente econômico.

Claro que previsões são previsões e estão aí para isso mesmo. Para serem revistas e adaptadas à realidade. Mas tudo indica que, no momento, há também um desejo enorme de mostrar à sociedade que não será necessário recorrer a mais impostos para atingir a meta fiscal.  A resistência a qualquer elevação de tributos é muito forte – ainda que classificada de “hipocrisia” pelo empresário Abílio Diniz.

A revisão da projeção de crescimento do PIB no ano que vem, de 1,2% para 1,6%, que deve constar do projeto de lei orçamentária a ser enviado ao Congresso, enquadra-se perfeitamente nesse desejo. Está 0,5 ponto acima da média das apostas do mercado financeiro para o indicador – embora, é bom lembrar, tais apostas também embutem “desejos” e interesses desse “ente” chamado mercado.

Com esse PIB mais robusto, o governo ficaria dispensado de encaminhar uma desgastante agenda de aumento de impostos. Corte de gastos e aumento de arrecadação via melhora da atividade econômica dariam conta do recado. Imposto ficaria sempre como aquela ameaça jogada lá para frente, caso todo o resto não funcione.

Como se sabe que o corte de gastos talvez não seja o esperado – veja-se o que aconteceu na polêmica renegociação da dívida dos Estados –, a saída é uma reação mais consistente da atividade econômica, com reforço de receitas. A venda de ativos pode até dar bons resultados, mas sempre leva tempo para sair do terreno das intenções, por mais que as intenções sejam para valer.

Nesse momento, o governo conta, a seu favor, com alguns indícios de melhora no cenário da economia real. É o caso do aumento da produção industrial e da alta no índice de atividade econômica do BC (o IBC-BR), que apontaram quadro mais favorável no mês de junho. Nada fantástico, mas no bom caminho da recuperação.

Enquanto esses sinais não se multiplicam e não se consolidam, o negócio é se agarrar no acerto dos números e torcer para que, dessa vez, a realidade se adapte às previsões.

 

 

 

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