Copom indica 2018 tranquilo, e dúvidas para 2019

Cida Damasco

31 Outubro 2018 | 19h22

Foi o que já se previa: o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano, na sua penúltima reunião do ano — e, na última, no meio de dezembro, deve repetir a dose. Inflação ligeiramente abaixo do centro da meta oficial, de 4.4 % no encerramento do ano, segundo as projeções da pesquisa Focus, dólar em queda maior do que já se esperava e atividade econômica ainda fraca justificam essa decisão.

No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central (BC) dá um recado adicional, em linguagem cautelosa como é de seu feitio, mas bastante significativo para o momento: “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória de inflação no horizonte relevante para a política monetária”.

É verdade que os mercados continuam identificando uma disposição do presidente eleito Jair Bolsonaro de levar adiante a reforma da Previdência — apesar dos desentendimentos entre o futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, e o chefe da da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sobre a conveniência e a viabilidade de se encaminhar antes a proposta de Temer, e depois cuidar de uma segunda reforma, de prazo mais longo. Em resumo, o que muitos analistas têm dito é que pelo menos Bolsonaro tem intenção de fazer a reforma. Se vai conseguir, são outros 500, ou melhor, 308 votos no Congresso.

Os mercados já contavam com a manutenção do juro básico nesta reunião do Copom e na próxima, ainda em dezembro, as duas antes da chegada do time de Bolsonaro ao Planalto. Tanto assim que, em outubro, o movimento foi de queda dos juros de longo prazo.

Para agradar aos mercados, nesse primeiro momento, só falta ficar claro que, nos próximos encontros do Copom, continuará presente o atual presidente do BC, Ilan Goldfajn. Guedes tem defendido com insistência a autonomia do BC, sempre discutida e nunca implementada — sonho de consumo, por exemplo, de Henrique Meirelles, durante toda a sua permanência no governo Lula. Como o mandato para o presidente do BC seria de quatro anos, Ilan ainda teria mais dois anos no cargo.

Os olhares dos investidores se dirigem agora, portanto, para 2019. Não só para os primeiros passos do governo Bolsonaro, que confirmariam ou não os prognósticos de avanços nas reformas e no ajuste fiscal, mas também para o cenário internacional.  Para especialistas, e o próprio comunicado do BC cita isso, há risco de deterioração do cenário externo para os países emergentes. Como o Brasil.