Depois das eleições

Cida Damasco

30 Setembro 2016 | 12h08

Se o governo Temer tivesse encomendado a divulgação de uma série de resultados ruins para mostrar que precisa tomar providências para mudar o rumo da economia, não teria sido tão bem sucedido. Nos últimos dias, pelo menos três grandes indicadores se enquadram nessa categoria:

  • O número de desempregados bateu recorde no trimestre encerrado em agosto, atingindo 12,024 milhões de pessoas. Isso é uma taxa de desocupação de 11,88%.
  • A renda média dos trabalhadores teve uma queda de 1,7% no mesmo período.
  • A arrecadação de impostos caiu 10,12% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, frustrando as expectativas do governo de que uma melhora – ou pelo menos uma “despiora” – na atividade econômica ajude a reduzir os desequilíbrios das contas públicas.

Claro que esses indicadores refletem um quadro que não se formou no governo Temer – ao contrário, foram moldados nos governos Dilma. E convivem com alguns sinais esparsos de alívio na atividade econômica. Mas também podem alimentar um círculo vicioso, segurando a própria retomada da atividade econômica. É o caso do desemprego – ou até o temor do desemprego — que inibe a volta das famílias ao consumo, mesmo que elas tenham reduzido o seu endividamento.

A questão principal, porém, é que essa conjuntura reforça a necessidade de o governo agir rápido e com eficiência para recolocar a economia nos trilhos. E não é o que está acontecendo. Mudanças sucessivas nas intenções de encaminhamento das reformas, tropeços igualmente sucessivos de integrantes do ministério e divisões na base aliada deixam dúvidas quanto ao “início efetivo” do governo Temer. O argumento do “depois do impeachment” ficou lá para trás. Agora é a vez do “depois das eleições”.