“Desaquecimento global” derruba projeções para comércio. Mais um complicador

Cida Damasco

01 de outubro de 2019 | 17h04

A Organização Mundial do Comércio (OMC) confirmou nesta terça-feira o quadro traçado há poucos dias pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A economia mundial perde fôlego e pioram as projeções tanto para 2019 como para 2020. Segundo as novas projeções da OCDE, o crescimento do comércio global foi reduzido de 2,6% para 1,2% neste ano e, no ano que vem, de 3% para 2,7%. E o PIB deverá repetir um crescimento de 2,3% tanto em 2019 como em 2020, abaixo dos 2,6% esperados anteriormente.

A causa central dessas revisões é a persistente guerra comercial entre Estados Unidos e China, cujos efeitos vêm se espalhando por todo o mundo, num cenário marcado pela integração das economias — o exemplo extremo é o das empresas americanas que fornecem componentes e/ou matérias-primas para as chinesas e, em razão das barreiras erguidas pelo governo Trump, também acabam prejudicadas. Além disso, há o enfraquecimento das economias europeias, com destaque para as incertezas trazidas pelo Brexit.

A região da América do Sul e Central não foge à regra do desaquecimento global: as importações de mercadorias deverão cair 0,7% em volume, em 2019, com maior peso dos negócios na Argentina e no Chile, e aumentar 4,5% em 2020. E as exportações da região deverão crescer 1,3% neste ano, e apenas 0,7% no próximo.

Enfim, o quadro que sai dessas estatísticas, embora não seja surpreendente para quem acompanha o andar da economia internacional, traz algumas preocupações. No caso do Brasil, em particular, a questão é que a demanda externa internacional não ajuda a contrabalançar a paradeira da demanda interna — ainda que não se espere nenhum desastre. Com o governo enredado em problemas fiscais e disposto a dobrar a aposta de combate aos gastos, não há expectativa de um forte impulso ao consumo interno a curto prazo — mesmo considerando-se a intenção declarada de atacar alguns gastos obrigatórios, para abrir espaço, por exemplo, a investimentos. Daí porque, nesse momento, seria crucial contar com um avanço significativo da demanda externa. Pelo visto, não será o caso. 

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