Economia patina. E o ministro pede tempo

Cida Damasco

12 de agosto de 2019 | 16h26

O PIB do segundo trimestre ainda vem aí, mas o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, divulgado nesta segunda-feira, já deu o sinal de alerta. Com uma queda de 0,13% no trimestre, em seguida a uma baixa de 0,68% no período anterior, o IBC-Br aponta risco de “recessão técnica” — caracterizada pela repetição de resultados negativos em dois trimestres consecutivos.

No mês, houve um pequeno avanço, de 0,3%. E tanto no semestre como no desempenho em 12 meses, o IBC-Br também está no azul, com altas de respectivamente 0,62% e 1,08%. Variações não tão distantes das expectativas para o ano. As projeções do governo e a dos mercados, segundo a pesquisa Focus, apontam crescimento do PIB de 0,8% para o fechamento de 2019. Não é certo que o PIB do segundo trimestre também venha com resultado negativo, mas certamente estará rondando o chamado crescimento zero.

A notícia do IBC-BR veio num mau dia, com os mercados balançando sob efeito das incertezas em relação à disputa entre EUA e China, e principalmente com a derrota do presidente Mauricio Macri nas prévias eleitorais na Argentina. O ministro da Economia, Paulo Guedes, preferiu não comentar o IBC-Br, mas num evento em Brasília pediu paciência para que a política econômica mostre seus resultados “Dê um ano ou dois, dê uma chance para a liberal-democracia. Saibam esperar para ver.”

Para alguns analistas mais otimistas, há indícios de alguma movimentação na economia real mais à frente. O alívio com a aprovação da reforma da Previdência e a retomada do ciclo de redução dos juros básicos agiriam nessa direção. No momento, porém, com ou sem recessão técnica, o fato é que a economia continua parada. E o comportamento preocupante do mercado de trabalho é a prova mais contundente dessa estagnação.

É verdade que a taxa de desemprego vem apontando para baixo, mas com um ritmo exasperante. Seria no mínimo irrealismo ignorar que, mesmo com essa queda, quase 13 milhões de brasileiros continuam desempregados e um contingente ainda maior ou trabalha menos do que poderia ou nem tem disposição de procurar alguma ocupação — quadro que continua produzindo estragos na demanda e, por tabela, no PIB.

Por enquanto, os indicadores de reação na atividade econômica parecem concentrados em alguns bolsões, como foi exposto no artigo certeiro “O PIB visto da Faria Lima” , do economista José Roberto Mendonça de Barros, publicado no Estadão do último domingo. No artigo, Mendonça de Barros mostra a reação nas atividades financeiras, no mercado de capitais, no ramo imobiliário, nos escritórios de advocacia e assim por diante. “O PIB visto da Faria Lima exala pujança”, afirma o economista. “E o que ocorre nas outras áreas da cidade? A animação acima descrita não se repete no ABC Paulista, no Largo da Concórdia, no Largo do Socorro e no centro da cidade.” Uma constatação de que a retomada da economia, além de lenta, é desigual.

 

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