Esperança no Copom

Cida Damasco

10 de janeiro de 2017 | 12h00

Os sinais são todos na mesma direção: na primeira reunião do Copom, nesta semana, o Banco Central (BC) deve finalmente acelerar o processo de derrubada dos juros. Depois de duas reduções sucessivas de 0,25 ponto porcentual na Selic, a taxa básica de juros, a expectativa agora é de um corte de 0,5 ponto. Há quem aposte em até 0,75 ponto. Aliás, há um bom tempo o mercado vem se movendo com base num cenário de corte de juros mais acentuado. Nesta segunda-feira, o próprio Temer deu a senha, ao afirmar que a queda de inflação permite uma queda “responsável” dos juros.

Para alguns economistas, esse processo até demorou. Eles vinham cobrando mais ousadia da equipe econômica – aí incluído o comando do BC – no enfrentamento da recessão. Afinal de contas, com um arsenal de instrumentos tão restrito para garantir esse objetivo, de acordo com as convicções da própria equipe econômica, não fazia sentido desperdiçar um dos únicos disponíveis — ou seja, a redução de juros. Ainda mais considerando-se que o processo de “desinflação” estava instalado. Segundo o boletim Focus, o mercado financeiro já trabalha com a hipótese de uma inflação próxima do centro da meta neste ano – 4,8% –, em confronto com 6,34% no fechamento de 2016.

A pergunta que não quer calar, contudo, é o quanto a política monetária, expressa na redução da taxa Selic, terá condições de acelerar a retomada do crescimento. A crença no roteiro ajuste fiscal-confiança-investimento-crescimento já parece abalada. E isso faz todo sentido. O governo conseguiu aprovar a PEC dos gastos públicos, encaminhou a reforma da Previdência e anunciou o esboço da reforma trabalhista. Sem entrar aqui numa avaliação detalhada das três grandes reformas, o fato é que elas eram tidas como cruciais para dar partida a esse roteiro. O que não se confirmou. A economia continua encalhada. Impacientes, até alguns banqueiros pedem mais rapidez na queda dos juros.

Nesse quadro, a confiança também virou mercadoria em falta. Depois de um período de leves oscilações, a prévia do indicador de confiança da indústria, em dezembro, caiu 2,9 pontos em relação a novembro, mostrando que o setor inicia o ano sem ânimo para reforçar suas atividades.

 

 

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