Estímulo à demanda? É pra ontem

Cida Damasco

10 de maio de 2019 | 17h11

Já se sabe que o governo se prepara para rever as projeções de crescimento do PIB para o ano, dos atuais 2,2%, para pouco mais de 1,5%. E, por tabela, também se prepara para ampliar o bloqueio de gastos, em razão da frustração das previsões de arrecadação para o ano. A pesquisa Focus mais recente ainda crava um crescimento de 1,49%, mas entre analistas, as apostas que correm no momento estão mais para perto de 1% — repetindo os resultados registrados tanto em 2017 como 2018.

Não são raros palpites de números ainda mais rasos. Em todos os casos, um desempenho decepcionante, para uma economia que saiu da recessão não faz tanto tempo e deve ter voltado ao vermelho neste primeiro trimestre. A indústria afundou, o consumo interno, as exportações e os investimentos vão muito mal.

À medida que as projeções de crescimento vão encolhendo, aumenta também a exasperação geral. Afinal de contas, o cenário que se avizinha é de um ciclo vicioso e não virtuoso, como se prometia. Menos crescimento, mais desemprego, menos receita, mais corte de gastos e, no fim da linha, menos crescimento. Mesmo empresários e executivos começam a desconfiar que a reforma da Previdência, embora essencial, não é suficiente para garantir a reativação da economia.

Se é certo esse reconhecimento de que a economia brasileira não está andando, ainda há discussões em relação à atuação do governo no curto prazo para reverter essa tendência. Até pouco tempo atrás, havia a convicção de que a equipe econômica resistia à ideia de lançar mão de alguns estímulos à demanda, tidos como incompatíveis com o repertório liberal. Subsídios a determinados setores, então, a exemplo dos concedidos nos anos de Lula e Dilma, nem pensar. Prova é que as medidas anunciadas pró-crescimento concentram-se mais em facilitar a abertura e o desenvolvimento de negócios. Tudo na linha da desburocratização e liberalização da economia, com a intenção de melhorar a competitividade do País.

O agravamento da situação, contudo, pode estar “convertendo” o ministro Paulo Guedes e seu time. Já está quase certo que o governo recorrerá de novo à liberação de recursos do PIS-Pasep, como incentivo ao consumo — reeditando iniciativas do governo Temer, que liberou, inicialmente, os saques das contas inativas do FGTS, responsáveis por dar um gás na atividade econômica no começo de 2017, e depois as contas do PIS/Pasep. No caso do Fundo de Garantia, a equipe econômica de Paulo Guedes confirma estudos para aumentar a possibilidade de saques e melhorar a rentabilidade, mas nada às pressas, em clima de emergência. Há, porém, quem defenda a necessidade de medidas urgentes de estímulo à demanda, para impedir novo mergulho da atividade econômica.

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