#FicaHoráriodeVerão

Cida Damasco

21 Setembro 2017 | 17h35

Todo ano é a mesma discussão. Quando o governo anuncia a data de início do horário de verão, as redes sociais se agitam com o Fla-Flu sobre as vantagens e desvantagens do esquema. De um lado, colocam-se os inimigos ferrenhos do horário, que apontam problemas – principalmente de segurança – para quem tem de levantar muito cedo e sair para trabalhar, ainda no escuro.

Os argumentos incluem também incompatibilidade com o relógio biológico, que prejudica o horário de acordar, de dormir e até de se alimentar. E o comentário mais recorrente: “Quando estou começando a me acostumar, já é hora de voltar ao normal”.

Os defensores do horário de verão festejam a hipótese de sair do trabalho ainda com dia claro e também invocam a questão segurança ao lembrar que muitos trabalhadores escapam do perigo de circular em ruas escuras para chegar em casa. Para esses – entre os quais sempre me incluí –, o início do horário de  verão anuncia a temporada de dias longos, caminhadas nos parques, happy hour com os amigos, pôr do sol na praia ou na praça perto de casa. Mesmo que sair do trabalho com dia claro não passe de um sonho de verão (ops…) e todas essas possibilidades sejam apenas isso — possibilidades. O fim do horário, ao contrário, representa simplesmente a volta à “rotina”, até a chegada do próximo verão.

Pois não é que o governo descobriu que o motivo central do horário de verão, ou seja, a economia de energia, não existe mais e, portanto, estaria na hora de acabar com ele? No dialeto do setor, o Ministério de Minas e Energia (MME) explica que em decorrência das “mudanças no perfil e na composição da carga que vêm sendo observadas nos últimos anos”, chegou-se à conclusão de que o horário de verão traz resultados “próximos à neutralidade para o consumidor”, Em bom português, não serve mais ao que se pretendia. Dito isso, jogou o problema para decisão do próprio Temer. Mas antes as redes sociais serão utilizadas para ouvir a população.

A instituição do horário de verão tem origem numa proposta do neozelandês George Hudson, em 1895, e as primeiras experiências ocorreram na Alemanha e na Áustria-Hungria em 1916. No Brasil, o horário de verão estreou em 1931, mas começou a ser adotado regularmente em 1985; inicialmente com abrangência nacional, foi sendo modificado até chegar ao formato atual, que atinge Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Na temporada 2015/2016, segundo o MME, a economia proporcionada pelo sistema foi de R$ 162 milhões e, na seguinte, ficou em R$ 159,5 milhões, pela redução do uso de termelétricas, que produzem energia mais cara e mais poluente porque funcionam com base em combustível. Nos últimos 10 anos, o resultado dessa política tem sido uma redução média de 4,5% na demanda por energia nos horários de pico e uma economia total de 0,5%.

Como teoria conspiratória é o que não falta, há quem diga até que o governo tenta fazer cortina de fumaça com o fim do horário de verão. Bobagem, é claro. Mas, a julgar pelas redes sociais, causa até um certo espanto o fato de que, no meio de tantos e tão graves problemas, o debate sobre esse tema mobilize tanta gente.

Escaldados com definições que se arrastam, especialmente no Brasil dos últimos tempos, muitos já estão ironizando: Espera-se que nesse caso a decisão não vá para o Supremo…

PS: E tem mais: #FicaHoráriodeVerão.