Indicadores da atividade econômica surpreendem. Para cima e para baixo

Cida Damasco

13 de setembro de 2019 | 11h56

Depois do crescimento de 0,4% no PIB no segundo trimestre, analistas correm em busca de indicadores relativos ao terceiro trimestre para verificar se foi apenas um respiro ou se a atividade econômica ganhou um ânimo mais duradouro. E os resultados colhidos até agora não apontam ainda uma tendência firme nessa direção. Os números relativos ao desempenho do comércio e do setor de serviços, divulgados pelo IBGE nesta semana, mostram uma reação favorável do consumo. Mas o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, apresentado nesta sexta-feira, vai na mão contrária.

As vendas do varejo registraram uma alta de 1% sobre o mês anterior e de 4,3%% sobre igual período do ano passado, acima das previsões que circulavam nos mercados. Na mesma linha, o setor de serviços avançou 0,8% em relação a junho e 1,8 % na comparação com julho de 2018, também além das estimativas. Já o IBC-Br comportou-se pior do que as expectativas, com uma queda de 0,16% sobre junho, embora com uma alta de 1,31% sobre julho passado.

Tudo indica que esse indicador carregou o peso do desempenho desfavorável da indústria, que fechou julho no vermelho: baixas de 0,3% sobre junho e de 2,5% sobre julho passado, prova de que a crise do setor reflete não só a persistente fraqueza da demanda interna, mas também os primeiros sinais de uma desaceleração do mercado externo.

É verdade que o IBC-Br não é necessariamente uma antecipação do PIB, até porque as metodologias de cálculo são diferentes. Mas dá pistas seguras do que está acontecendo na economia, num prazo mais curto do que o PIB. É bom lembrar, a respeito dessas divergências, o temor de “recessão técnica” despertado pela divulgação da queda de 0,13% do IBC-Br do segundo trimestre — não confirmada pelo PIB do período, que cresceu 0,4%.

Tudo isso ponderado, o fato é que o consumo interno está demonstrando algum ânimo, mas ainda não há razões suficientes para se decretar que, finalmente, a atividade econômica pegou embalo. Segundo analistas, alguns indicadores revelam que, em agosto, as coisas não caminharam tão bem como se esperava. Dentro do governo, a crença é que agosto será o fundo do poço e setembro trará boas novas, inclusive com a contribuição do início da liberação dos saques do FGTS e do PIS-Pasep. Nos cálculos da Confederação Nacional do Comércio (CNC), essa liberação representa uma injeção de consumo da ordem de R$ 13 bilhões no último quadrimestre — R$ 17 bilhões irão para pagamento de dívidas e poupança.

Cautelosa, a equipe econômica tratou de rever a projeção do PIB deste ano para cima, mas pouco — de 0,80% para 0,85%. Continua de pé o diagnóstico de que falta tração para acelerar a recuperação da atividade econômica. Se a recessão de 2014/2016 não foi a maior da história recente do País, a recuperação é indiscutivelmente a mais lenta. Nos cálculos do IBGE, o PIB terminou o semestre ao nível do segundo trimestre de 2012, e 4,8% abaixo do patamar alcançado no primeiro trimestre de 2014, o mais alto da história do País. Apressar essa subida exige muito mais fôlego da economia. E talvez uma dose adicional de oxigênio por parte do governo.

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