Índice do BC mostra economia parada e torcida é para efeito FGTS

Cida Damasco

14 de outubro de 2019 | 16h38

O mercado esperava mais, mas o desempenho do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) relativo a agosto ficou bem perto de zero. Com uma alta modestíssima de 0,07% sobre julho, o IBC-Br ainda está abaixo do nível alcançado em agosto do ano passado — a queda, nessa base de comparação, é de 0,73%. No ano, registrou um aumento de 0,66%, sobre o mesmo período de 2018 e, em 12 meses, de 0,87%. Em resumo, nenhum motivo para comemoração. Confirmam-se os sinais de uma economia estagnada, com uma recuperação cíclica que merece o título de “a mais lenta da história”.

Por que, então, alguns analistas demonstram um certo alívio com os números apurados pelo BC em agosto? O fato é que, pelas suas contas, está afastado, por ora, o risco de uma queda do PIB no terceiro trimestre, o que “carregaria” um efeito desfavorável para o fechamento do ano. As apostas são de uma pequena alta, do segundo para o terceiro trimestre. E a torcida é para que os saques do FGTS e do PIS/Pasep repitam o efeito sobre o consumo observado no governo Temer e garantam algum dinamismo à atividade econômica no quarto trimestre. Segundo cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a liberação dessas contas deve injetar algo como R$ 13 bilhões no consumo — sem contar a estimativa de mais uns R$ 12 bilhões para a quitação de dívidas, o que, em última instância, também abre caminho para aumento de consumo, já que permite a contratação de novos empréstimos e/ou financiamentos.

A reportagem “Com queda nos juros, busca por crédito tem o maior crescimento em 9 anos”, de Márcia De Chiara, publicada na edição do Estadão desta segunda-feira, 14 de outubro, vai na mesma direção. Com base em pesquisa da Serasa Experian, a reportagem mostra que o número de pessoas que foram em busca de crédito entre janeiro e agosto registrou um aumento de 10,3% de janeiro a agosto, em relação ao mesmo período de ano passado — e a maior procura é justamente pelas linhas destinadas à renegociação de dívidas. O movimento é atribuído, entre outros fatores, à  baixa dos juros, mesmo considerando-se que, na ponta do crédito, o ritmo dessa queda é muito inferior ao da taxa básica.

Moral da história. Há alguns sinais no horizonte de alívio no quadro. Mas esses sinais ainda são tênues, e precisariam de novos estímulos para se consolidar. Não a tempo de salvar 2019 de um crescimento baixo — nas proximidades de 1% — mas pelo menos para dar alguma esperança de melhora mais significativa em 2020.

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