Inflação, um problema a menos para Bolsonaro

Cida Damasco

07 Dezembro 2018 | 17h50

Houve um momento, recentemente, no qual chegou-se a temer por uma nova escalada da inflação. Não um estouro, obviamente, mas uma subida suficiente para determinar uma retomada da elevação dos juros básicos. Analistas trataram de rever para cima suas estimativas de inflação para este ano e principalmente para o ano que vem.
Os resultados mais recentes, contudo, mostram que a inflação continua comportada e não deve provocar novos sustos. Em novembro, o IPCA registrou uma queda de 0,21% — a segunda deflação do ano e a menor taxa para o mês desde o Plano Real — e uma taxa acumulada em 12 meses de 4,05%.
O resultado do mês foi decorrente da redução dos preços da energia elétrica, com a mudança da bandeira tarifária de vermelho para amarelo, e também dos preços dos combustíveis, como a gasolina. Houve ainda uma ajuda das promoções da Black Friday, cada vez mais incorporadas aos hábitos dos consumidores brasileiros, que resultaram na contenção de preços de itens como roupas, aparelhos celulares, produtos de saúde e higiene pessoal.
São fatores que podem não se repetir com a mesma intensidade daqui para a frente. mas não há grandes pressões à vista. Em dezembro, especificamente, a energia elétrica continuará influenciando favoravelmente o IPCA, com a mudança de bandeira amarela para verde, em razão do aumento do volume de chuvas e melhora no abastecimento dos reservatórios. Em contrapartida, está previsto o efeito do aumento nos preços do botijão de gás e nas tarifas de água e esgoto no Rio e Porto Alegre.
Tudo ponderado, a previsão dos mercados para o fechamento deste ano, segundo a pesquisa Focus, é de um IPCA de 3,89%,  razoavelmente abaixo da meta oficial de inflação — 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo. E para o ano que vem, a projeção vai a 4,11%, frente a um alvo de 4,25%, com margem de 1,75 ponto nas duas direções.
Tais expectativas são compatíveis com um cenário econômico de equilíbrio, sem nenhuma ruptura externa, que produza estragos no conjunto de países emergentes, entre os quais o Brasil, e também sem uma pressão excessiva de demanda interna. Enfim um alívio para a equipe  de Bolsonaro, que terá de concentrar toda a energia da sua política econômica no ajuste fiscal. Pelo menos não haverá desafios adicionais no front inflação/juros básicos.