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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Ladeira abaixo

Cida Damasco

10 de maio de 2017 | 17h27

E pensar que nem faz tanto tempo assim a explosão da inflação era um dos principais, senão o principal temor em relação ao desempenho da economia. Em abril, pela primeira vez desde agosto de 2010, a inflação acumulada em 12 meses ficou claramente abaixo do centro da meta: 4,08% contra 4,5%. Além disso, trata-se da menor taxa acumulada em 12 meses desde julho de 2007, quando a inflação chegou a 3,74%. Números que suscitam duas grandes perguntas sobre ações de política econômica daqui para a frente: 1) o ritmo atual de derrubada dos juros básicos é adequado ou terá de ser acelerado nas próximas reuniões do Copom? 2) Está na hora de apertar a meta oficial de inflação?

Claro que esses são dois bons problemas para a equipe econômica. No primeiro caso, o Banco Central já deu mostras de que tem pressa para reduzir a taxa Selic. Até porque muitos especialistas consideram que o BC demorou demais para iniciar esse processo de “desinflar” o juro básico – e agora esse atraso teria de ser compensado por cortes mais significativos das taxas.

Em relação à meta de inflação, há algumas ponderações a se fazer. No cenário atual, deixar a meta onde está, com a inflação claramente testando patamares mais reduzidos, poderia representar um “desestímulo” às políticas anti-inflacionárias. Mas, em contrapartida, partir já para revisar a meta de 2018 poderia ser interpretado como um certo açodamento. O que se depreende da fala dos integrantes da equipe econômica é que seria mais prudente manter a meta de 2018 e reduzi-la para 2019.

A questão, porém, é saber quanto essa derrubada dos juros vai produzir de impacto sobre a atividade econômica. Já se sabe que reduzir o juro básico é essencial para a retomada do crescimento. Mas já se sabe também que não é suficiente. É voz corrente que é preciso atuar sobre a correia de transmissão entre o juro básico e as taxas no crédito final  – principalmente para o consumidor comum e para as empresas de menor porte. O spread bancário, que explica a enorme distância entre os juros nessas duas pontas, continua alto e precisa de medidas efetivas para ser diminuído.

Enquanto essas distorções persistem, a crise segue firme e forte. E, ironia das ironias, continua sendo justamente a maior responsável pela queda acentuada da inflação.

 

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