Mais perto da recessão

Cida Damasco

15 de maio de 2019 | 16h24

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apenas confirmou o que já estava presente nas projeções de analistas e nas conversas de empresários e executivos. O primeiro trimestre foi bastante fraco, a ponto de colocar a economia brasileira de novo “no vermelho”. A queda de 0,28% de fevereiro para março e de 0,68%, na comparação do primeiro trimestre com o quarto de 2018, acende um sinal de alerta não só para os meses logo adiante como para o ano inteiro.

Embora a metodologia de cálculo do IBC-Br não seja igual à do Produto Interno Bruto, é sabido que ele funciona como uma prévia confiável do desempenho do PIB — que será conhecido no dia 30. Antes mesmo da divulgação do IBC-Br, porém, as previsões de especialistas para o ano já vinham descendo a ladeira — para as vizinhanças de 1% e até mais para baixo. O próprio governo já admite uma taxa de 1,5%, bem abaixo das estimativas iniciais, claramente irrealistas. A preocupação com o ritmo lento da retomada da economia cedeu lugar ao temor de volta da recessão.

Reconhecida a gravidade da situação e abandonada a retórica de que tudo não passava de militância contra o governo, vamos às consequências diretas desse fato. E há pelo menos duas de destaque. Em primeiro lugar, nas próximas reuniões do Copom, o Banco Central será levado a arbitrar o que vai pesar mais sobre a política monetária: o quadro externo, sempre sob pressão dos arroubos de Trump e das reações da China, o futuro incerto da reforma da Previdência e o risco de o País afundar num novo ciclo de recessão, sem ter conseguido se recuperar do anterior. Diante desse cenário, devem aumentar as pressões para uma nova rodada de redução dos juros básicos — considerando-se também que os juros na ponta ainda não refletiram com a mesma intensidade a rodada anterior.

A segunda consequência será sobre a “resistência” do ultraliberalismo da equipe de Paulo Guedes. É cada dia mais questionada a avaliação de que a reforma da Previdência dará conta de tirar a economia brasileira do fundo do poço — ainda que ela seja essencial para aliviar o sufoco das contas públicas e as dúvidas sobre sua aprovação ampliem esse clima de pessimismo que se espalha pelo País.

Mesmo com todos os limites da crise fiscal, virou urgência adotar uma agenda de curto prazo para evitar que a economia embarque de fato em novo ciclo de recessão. Principalmente com o desemprego em alta, como uma panela de pressão sob ameaça de estourar a qualquer momento.

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