Mercados, Previdência, o novo e o velho

Cida Damasco

18 Janeiro 2019 | 12h53

A Bolsa bate recorde após recorde e já ultrapassou a marca dos 95 mil pontos. O dólar desliza para baixo dos R$ 3,75, os juros futuros estão em queda e o CDS, que espelha a imagem da economia brasileira nos mercados internacionais, segue a mesma  direção.

Do cenário externo, as “boas” notícias vêm com a perda de ritmo da economia chinesa e as perspectivas de não-relaxamento das políticas monetárias dos países industrializados, que deve manter a atração dos mercados emergentes.

No cenário interno, reforma da Previdência é a música que os investidores estão ouvindo — ainda que com volume variável, às vezes mais elevado, às vezes mais baixo. A atividade econômica ainda patina, apesar dos resultados razoáveis apontados pelo IBC-Br de novembro — alta de 0,29% sobre outubro e de 1,38% nos 11 meses terminados em novembro, na comparação com o mesmo período de 2017.

Fora dos muros da economia, a situação é mais complicada. O que seria uma acomodação natural depois da montanha-russa da campanha eleitoral deu lugar a um início de mandato atribulado, com alguns ministros questionados por opiniões e declarações esdrúxulas, o próprio presidente alimentando a confusão e o caso Queiroz rondando a família Bolsonaro.

Claro que cada caso é um caso, cada momento é um momento. Mas é inegável que o quadro atual guarda algumas semelhanças com o observado no início do governo Temer. Mercados bombando, apesar da fraqueza do setor real da economia e das enormes incertezas políticas.

Tudo indica, portanto, que a continuidade da lua de mel com os mercados, no front interno, depende quase 100%, dos destinos da reforma da Previdência. Para reforçar suas apostas, investidores locais e principalmente estrangeiros aguardam sinais mais claros do que será a reforma de Bolsonaro — e também de como agirão os articuladores políticos de Bolsonaro.

Nesse sentido, suas expectativas estão ancoradas em dois extremos: o novo e o velho. Por “novo”, entenda-se a formatação de uma proposta ambiciosa por Paulo Guedes e seu grupo. Por velho, entenda-se a rendição de Bolsonaro à necessidade de negociação com partidos e não com bancadas, ao contrário das promessas repetidas durante a campanha. Na visão pragmática dos mercados, políticos “de raiz”, como Rodrigo Maia na presidência da Câmara, farão o serviço com mais eficiência.