Motor emperrado

Cida Damasco

19 Setembro 2016 | 12h18

Economistas, empresários e políticos consultam diariamente os indicadores de atividade econômica tentando identificar o momento em que poderão dizer com alívio e tranquilidade: a economia engatou a marcha da retomada e o movimento é consistente. Por enquanto, os sinais ainda são contraditórios e alimentam incertezas.

A divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-br), visto como uma espécie de antecipação do PIB, serve para reforçar as posições de quem ainda encara com desconfiança a reativação da economia.  Em julho, o IBC-br teve uma queda de 0,09% sobre o mês anterior e de 5,2% sobre julho do ano passado. Nas duas comparações, os resultados foram piores do que esperavam os chamados analistas do mercado financeiro. Em junho, a redução havia sido de 0,37% sobre o mês anterior.

É verdade que não se trata de uma queda importante no mês de julho, melhor seria falar em estabilidade. Mas indica que o motor da economia brasileira continua emperrado. Nesse momento, a comparação mês a mês deve ser olhada com atenção redobrada, já que o objetivo é identificar não só quando o indicador de atividade passará a apontar sistematicamente para cima mas também quando os sinais positivos irão se espalhar pelo conjunto dos setores, sem muitos desníveis e sem muitas idas e vindas – ao contrário do que ainda continua ocorrendo.  A comparação com o ano anterior, nesse caso, serve mais para dimensionar em que ponto a economia se encontrava quando começou a reagir e o esforço que terá se ser feito para dar um novo salto.

O fato é que a face cruel da recessão continua muito nítida, principalmente quando se observa o quadro de desemprego e renda em vários segmentos da sociedade. Do ponto de vista do ajuste fiscal, esse vai-não-vai da atividade econômica também complica as metas de arrecadação do governo, que conta com elas para não ter de recorrer a um aumento de tributo, mesmo que pontual. O corte de despesas no tamanho desejado ainda desperta dúvidas, já que só agora começa a ser discutida efetivamente a PEC do teto de gastos públicos – e seus parâmetros básicos já foram incorporados ao orçamento do ano que vem.