Por enquanto, é mais torcida

Cida Damasco

14 Julho 2016 | 13h42

Por meses a fio, os indicadores de desempenho da atividade econômica divulgados diariamente, se não causavam depressão, induziam pelo menos ao tédio. Os títulos dos relatórios de especialistas invariavelmente apontavam na mesma direção. “o pior mês da série histórica”, “a maior queda desde …” e assim por diante. Qualquer que fosse o indicador, qualquer que fosse a base de comparação.

 

De uns tempos para cá, as coisas começaram a mudar. Há alguns sinais de que a economia chegou ao fundo do poço. Será? Um jornalista com quem trabalhei e com quem aprendi muito costumava recomendar extrema cautela nessas ocasiões: fuja das análises gerais, dizia ele.

 

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-R), que saiu do forno agora de manhã, me fez lembrar desses conselhos. Apontado como uma espécie de prévia do PIB, o indicador mostrou que a economia voltou a andar para trás, em maio: -0,51% em comparação com abril , depois de uma leve alta no mês anterior (0,07%). E lá vem de novo aquela comparação incômoda: é o pior desempenho desde janeiro de 2010.

 

É caso para abandonar todas as projeções mais otimistas (ou menos pessimistas) que vinham sendo feitas? Claro que não. Pode ser apenas efeito de um olhar pelo retrovisor. Nesses momentos de transição, os sinais de reação que aparecem em determinados setores demoram a aparecer em outros, dependendo de como cada um reage à mudança de humores no cenário econômico. Mudança que pode ser determinada por medidas concretas ou simplesmente por expectativas.

 

É caso, porém, de relativizar as projeções. Muito dessa mudança de humores diz respeito ao crédito de confiança que a equipe econômica mantém. E esse crédito será posto à prova daqui por diante, naquela encruzilhada onde sempre se encontram a economia e a política.

 

A grande dúvida é como o governo Temer irá se mover, se for consumado o impeachment de Dilma Rousseff. Mais ainda, como ele conseguirá administrar seus interesses no Congresso com a obrigatória recomposição de forças depois da guerra em que se transformou a disputa pelo comando da Câmara. É óbvio que o chamado Centrão saiu ferido, com a vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas ainda é cedo para avaliar a extensão e a profundidade das sequelas que ficaram desse embate.