Que venha a queda de juros

Cida Damasco

19 de dezembro de 2016 | 12h19

 

 

Pode parecer pouco, mas não é. As previsões do mercado financeiro, captadas pela pesquisa Focus, do Banco Central, mostram que finalmente formou-se uma confiança na queda da inflação. Como dizem os economistas, está em curso um processo de desinflação. Com uma leve queda em relação à semana anterior, a estimativa do IPCA para este ano chegou a 6,49% — e bateu na trave no teto da meta para o ano, 6,5%. É a primeira vez neste ano que o mercado aposta numa inflação “bem comportada”, dentro da banda da meta.

Tudo, porém, tem outro lado. E, nesse caso, o outro lado é o desempenho da atividade econômica, que até o momento é pífio e ainda não dá sinais de reagir. A esperança de que o pacote de medidas pró-crescimento, anunciado na semana passada, pudesse produzir resultados a curto prazo, já se desfez. Mesmo as avaliações mais otimistas sobre as medidas não levam em conta efeitos antes do médio prazo. Sendo assim, é compreensível que as previsões para o PIB de 2016 e principalmente 2017 continuem decepcionantes. Para este ano, a expectativa é de uma queda de 3,48% e, para o próximo, de uma alta de apenas 0,58%.

Nesse quadro, todas as atenções – e as esperanças — se dirigem agora para as próximas reuniões do Copom. Inflação em baixa e recessão combinam, obviamente, com uma queda mais acentuada nas taxas de juros. O próprio presidente do BC, Ilan Goldfajn, já deu a deixa de que esse será mesmo o caminho seguido pelos integrantes do comitê – mesmo considerando-se que a alta dos juros finalmente anunciada pelo Fed, o banco central americano, vai provocar uma realocação do dinheiro disponível nos mercados, principalmente dos países emergentes, para os Estados Unidos.

Claro que não faz sentido esperar nenhum milagre de Ano Novo da derrubada dos juros. A política monetária tem limitações, especialmente num momento conturbado como o atual, em que fatores econômicos e políticos se unem para travar os negócios. Mas, aliada a algum alívio no crédito para empresas endividadas, pode pelo menos deixar o clima mais leve para o ano que vem.