São as expectativas, estúpido

Cida Damasco

18 Julho 2016 | 11h50

Fim de semana agradável para a turma do Planalto. Se duvidar, o presidente interino Michel Temer teve tempo até de pegar um cineminha particular com a família. As notícias sobre a evolução do clima na área econômica são bastante favoráveis ao governo Temer.

 

Como mostrou o Estadão na edição de domingo, fundos de investimento avaliam investir US$ 50 bilhões na economia brasileira. Bolsa em alta e dólar em baixa confirmam essa expectativa. Pesquisa Datafolha também divulgada ontem revela que a expectativa dos brasileiros em relação à situação econômica atingiu o maior nível desde dezembro de 2014 – em outras palavras, desde a eleição de Dilma Roussef. Pesquisa Focus desta segunda-feira confirma leve melhora nas previsões para inflação e crescimento.

 

Isso não é pouco. Especialmente para um governo que passou as primeiras semanas cercado de dúvidas sobre quem seria o próximo ministro a cair e de torcida da atual oposição para chegar desidratado à votação do impeachment no Senado.

 

A leitura agora é que o governo Temer vai se consolidando. E é a economia – mais propriamente as expectativas sobre a economia – que está produzindo essa mudança.

 

As mesmas pesquisas mostram, contudo, que a vida do governo Temer, pendurado no desempenho da economia, não será um passeio. Nem sempre o que os chamados agentes econômicos querem é exatamente o que a população quer. De  maneira simplista, todos desejam que o País chegue a uma situação de bem-estar: menos inflação, mais empregos e mais renda. O caminho até lá é que são elas.

 

Investidores, empresários e executivos temem que o governo “amoleça” e pressionam para que ele cumpra as promessas de ajuste fiscal. Um ajuste que se apoie em forte redução de gastos e só em último caso – mas em último caso mesmo – apele para aumento de impostos. Nesse sentido, uma reforma da Previdência é ponto de honra.

 

A mesma pesquisa Datafolha revela que 43% da população rejeita idade mínima para a aposentadoria e apenas 11% acham que o brasileiro se aposenta cedo demais. Por esse levantamento, fica claro que o sonho de consumo é se aposentar aos 60 anos, e o próprio Temer já indicou sua preferência por uma fórmula que fixe a aposentadoria para homens em 65 anos e um pouco mais cedo para mulheres.

 

É na área política, obviamente, que essas contradições terão de ser equacionadas. Trabalho duro pela frente para a equipe econômica, dentro do próprio governo, e para a equipe política. Não dá muito tempo para festejar o noticiário da semana.