Sobre cogitações

Cida Damasco

01 de agosto de 2016 | 12h48

A semana começa com duas “cogitações” importantes. A primeira  é uma não-cogitação, segundo nota emitida pelo presidente interino Michel Temer. A propósito do que afirmou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em entrevista ao Estadão, Temer diz que não cogita ser candidato à presidência em 2018.

Temer tem tudo para ser o candidato do “nosso campo’, disse Maia na entrevista – aparentemente retirando desse campo o PSDB, que só abençoou a “candidatura” Temer em 2016 com a promessa de que não haveria tentativa do bis em 2018, e o PSD, que patrocina a candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles .

A outra cogitação – ou melhor, mais do que uma cogitação – é de que o governo já teria um esboço da reforma da Previdência e, por ele, as novas regras afetariam pesadamente quem tem até 50 anos. Só acima desse limite é que haveria regras de transição.

A idade mínima, segundo a proposta do governo, ficaria em 65 anos para homens e 62 para mulheres. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, “porta-voz” da ala política do governo, revelou ainda que as mudanças devem atingir trabalhadores de empresas privadas e públicas, mesmo que não haja uma unificação formal dos dois regimes da Previdência.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Aparentemente, correm em separado, cada uma em seu trilho. No fundo, porém, convergem para o mesmo terreno minado em que se move o presidente interino.

É claro que, nessa transição, o governo tem feito contorcionismos para enfrentar as pressões corporativas por aumento de gastos sem deixar desandar os compromissos de controle fiscal. Mas nada indica que, mesmo depois do provável afastamento definitivo de Dilma Rousseff, essas pressões sejam muito atenuadas.

Pôr em marcha a negociação para a reforma da Previdência o mais rápido possível é crucial, já se sabe. Não dá para continuar empurrando com a barriga essa questão. Os conflitos são inevitáveis, agora ou mais tarde. Mas é evidente que comprar essa briga no meio de discussões sobre a sucessão presidencial, com disputas mais explícitas dentro da coalização, é um complicador. E que complicador.

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