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Urnas e ajustes

Cida Damasco

03 de outubro de 2016 | 17h37

Passada a ressaca do domingo eleitoral, começam as especulações em torno do que os resultados poderão – ou não – impactar a agenda econômica/social de Temer. Espera-se para esta terça-feira, dia  4, a apresentação do texto final da PEC do teto de gastos, que deverá testar a solidez da base parlamentar do governo e dar partida às mudanças reclamadas principalmente pelo mercado financeiro e pelos empresários. Entre os ajustes finais no texto, está a fixação do ano de 2017 como referência para o cálculo dos gastos em saúde e educação – na prática, um adiamento para 2018 do teto para essas duas áreas.

Se o recado das urnas nas eleições municipais se estender ao Congresso, Temer tem motivos para ficar razoavelmente tranquilo em relação ao que acontecerá com seus projetos prioritários na passagem pelo Senado e pela Câmara. A oposição tomou uma surra e não terá fôlego para exercer qualquer movimento mais forte no sentido de barrar a ofensiva do Planalto. Acontece que as incertezas estão menos no campo oposicionista e mais entre os aliados – e aí há nuances nas eleições a serem consideradas.

O grande vencedor no primeiro turno das eleições foi o PSDB – parceiro do PMDB no governo Temer, mas com interesses próprios bem delimitados. São justamente os tucanos que defendem a ferro e fogo um ajuste mais duro agora – o que facilitaria a retomada de uma agenda mais “amigável” – digamos assim – mais para a frente, beneficiando inclusive a ação do próprio PSDB numa eventual chegada ao Planalto.

O PMDB de Temer é que vem hesitando.  Não só em relação ao cronograma das mudanças, como à sua própria extensão. Pode ser que as críticas da candidata Marta Suplicy à reforma trabalhista anunciada pelo ministro do Trabalho – e logo em seguida desmentida — tenham sido apenas conversa de campanha, mas pode ser também que indiquem resistências internas às chamadas medidas impopulares. Afinal de contas, não é de se esperar que o PMDB, depois de entronizado no poder, tenha o desprendimento de ficar fora da disputa em 2018.

A ver agora o quanto a recomposição das forças políticas do País expressa nas eleições municipais vai alterar o estilo e o ritmo do governo Temer.

 

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