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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Varejo sem reação

Cida Damasco

11 de maio de 2017 | 12h22

Se torcida influenciasse resultado na economia, como acontece no futebol, certamente as coisas já poderiam estar bem melhores. É claro que o chamado “clima” tem lá seu papel – consumidor confiante ou pelo menos esperançoso é uma parte do caminho andado, já que a tendência é assumir novos compromissos e, em consequência, ajudar a girar a roda dos negócios. A questão é que, por si só, esse clima não resolve.

Estamos assistindo nos últimos tempos a um vaivém danado, tanto em termos de indicadores de desempenho efetivo da economia como também em termos de expectativas. “Agora vai”, sugerem os indicadores de um determinado mês. “Não foi dessa vez”, apontam outros, logo no mês seguinte. Uma situação plenamente compreensível, em períodos de transição como o atual, mas com uma “leitura” exacerbada, tanto para cima como para baixo, tendo em vista os desejos e a necessidade de pinçar boas notícias no meio de um aparentemente inesgotável conjunto de más notícias.

Nesse sentido, o desempenho do comércio não tem inspirado grande ânimo. As vendas do varejo, segundo o IBGE, tiveram em março uma queda de 1,9% sobre o mês anterior e de 4% sobre março do ano passado. No resultado acumulado do ano, a queda já é de 3%. Trata-se do pior março registrado pelo levantamento desde 2003 e o segundo pior mês da série histórica, iniciada em 2000. A esperança agora concentra-se no Dia das Mães, a segunda data mais importante para o comércio, embora o quadro atual não justifique grande otimismo – seria um “Dia das Mães das lembrancinhas”, como tem sido ano após ano o Natal.

Os mais otimistas apegam-se, por exemplo, a estatísticas que mostram o forte aumento no fluxo de pessoas circulando nos shoppings do País: mais 3,4% sobre abril de 2016 e o maior aumento dos últimos dois anos, segundo pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência e pela Mais Fluxo, divulgada pelo Estadão. A pesquisa acompanha o movimento de 123 shoppings em todo o País. Segundo essa avaliação, mais gente circulando no shopping é quase um indicador antecedente de mais gente indo às compras.

Concentrada numa pauta de médio e longo prazo – leia-se reformas –, a equipe econômica não tem muito o que fazer para dar esse empurrão. A tacada mais recente foi a liberação dos saques das contas inativas do FGTS, para ajudar a reduzir o endividamento do consumidor e capacitá-lo a voltar às compras. O desemprego, contudo, não dá trégua e tem funcionado como um forte inibidor do consumo. Para o curto prazo, portanto, só resta uma receita. Aquela já conhecida: acelerar a queda dos juros.

 

 

 

 

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