Vendas do varejo e inadimplência expõem economia sem condições de arranque

Cida Damasco

13 Setembro 2018 | 17h11

Está difícil identificar algum sinal favorável de evolução da atividade econômica nestes últimos meses. Com ou sem efeito da parada dos caminhoneiros, o que se vê é economia fraca, praticamente sem condições de arranque. À espera do novo governo ou pelo menos à espera de indicações mais claras de como será o novo governo. Como tudo, aliás, no País.

As vendas do varejo, por exemplo, que antecipam em parte o que acontecerá mais à frente com a produção industrial, ficaram abaixo das expectativas dos analistas em julho e apontaram para baixo na comparação com junho (0,5%), pelo terceiro mês consecutivo. Em relação ao mesmo mês de 2017, caíram 1%, interrompendo uma sequência de 15 meses de resultados positivos. O IBGE classifica esse movimento do comércio como perda de ritmo de recuperação — o que, em bom português, pode ser traduzido como “paradeira”.

Reforçando o quadro desfavorável, o indicador de inadimplência do consumidor avançou em agosto pelo 11º mês seguido, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Diretores Lojistas (CNDL)/Serviço de Proteção ao Crédito. Com uma alta de 3,63% sobre agosto de 2017, o número de consumidores com dívidas em atraso chegou a 62,9 milhões em todo o País, o que corresponde a cerca de 40% da população adulta. A maior parcela desse contingente está na faixa de 30 a 39 anos (17,9 milhões de pessoas) e, em termos proporcionais, a maior participação da inadimplência concentra-se na região Norte.

Diante desses números, fica claro que uma retomada da economia pelo lado do consumo enfrenta vários obstáculos. Não é por outro motivo que, no programa econômico de Ciro Gomes (PDT), tem destaque a polêmica proposta de refinanciamento das dívidas dos cidadãos negativados no SPC. Pelo lado do investimento, então, os obstáculos podem ser não só em maior número como também mais resistentes.

Trata-se, sem dúvida, de uma situação mais do que complicada para os candidatos à Presidência. Afinal, eles não podem se arriscar a um novo estelionato eleitoral, com promessas fantasiosas que, de antemão, já se sabe que não serão cumpridas. Mas também não podem deixar de injetar algum ânimo ao eleitorado, já desgastado principalmente com a persistência da crise no mercado de trabalho. Haja equilíbrio.