A ópera-bufa do 5G

Claudio Considera

29 de março de 2021 | 09h15


O governo (?) Bolsonaro conseguiu transformar um avanço tecnológico muito importante para o consumidor, o leilão da tecnologia 5G, em um filme pastelão, só que sem graça alguma.

Primeiramente, havia a tendência de escantear a Huawei, maior companhia do mundo de equipamentos para redes e comunicações, para agradar o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Agora, ficamos sabendo que haverá políticas públicas que beneficiarão segmentos tidos como aliados do presidente – militares, agricultores e caminhoneiros. E que tudo isso custará bilhões de reais.

Não bastasse isso, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que até agora balança mas não cai, usou uma reunião com a senadora Kátia Abreu, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, no começo deste mês, para acusá-la de fazer lobby para a Huawei. Nitidamente, um contra-ataque às críticas quase unânimes que tem recebido de senadores e senadoras, e dos presidentes da Câmara e do Senado.

Nesta barafunda em que estamos, até um leilão da tecnologia que tornará o acesso à Internet muito mais veloz se transforma em ópera-bufa.

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