Apagão + inflação = não!

Claudio Considera

19 de julho de 2021 | 09h36


A conta de luz não costuma chamar tanta atenção quanto, por exemplo, a da gasolina, do óleo de soja e da carne bovina. Mas é um insumo fundamental em todos os tipos de produtos e serviços. Afeta, inclusive, quem não tem carro nem contrata veículos em aplicativos.

Seca leva a tarifaço e agrava crise. Foto: JF Diório/Estadão


Um exemplo: milhões de brasileiros de classe média, varridos do mercado de trabalho formal por uma economia anêmica e mal gerida, têm sobrevivido como microempresários. Vão sofrer ainda mais com o tarifaço energético.

Oficialmente, ocorreu uma infelicidade climática: a pior seca em 91 anos, e nossa matriz energética é predominantemente hidrelétrica. Mas temos sol o ano todo, vento abundante e biomassa idem, em um país que é um dos líderes do agronegócio. Autoridades acham bem mais fácil ativar usinas termelétricas e nos enviar a conta do aumento.

Ganha um doce quem identificar qualquer iniciativa pública – na operação, no investimento ou no fomento – para estimular o uso de energias alternativas.

Além disso, secas não são tragédias que surgem do nada: estamos batendo recorde no desmatamento e nas queimadas, com, no mínimo, indiferença do governo federal. Madeireiros e garimpeiros ilegais são tratados até com carinho.

Por isso, o consumidor e o produtor de bens e serviços estão pagando energia elétrica reajustada acima da inflação, mas isso não garante que não teremos de racioná-la.

Os aumentos de preços, por sinal, continuam firmes e fortes, sendo desafiados a voltar com tudo. Uma hora dessas, a superinflação pode aceitar o convite e retornar ao convívio dos brasileiros.

O que podemos fazer? Economizar energia elétrica e votar melhor da próxima vez.

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