Basta ao abuso no crédito consignado

Claudio Considera

22 de julho de 2019 | 10h01

Já não era sem tempo agir contra as práticas abusivas do sistema financeiro ao impor empréstimos consignados aos idosos. No ano passado o Instituto Social do Seguro Social (INSS) recebeu mais de 75 mil reclamações. E este ano atingiu quase 11 mil só nos dois primeiros meses do ano. Tem que punir os abusos.

Entre as principais queixas dos idosos lesados estão a oferta exaustiva e abusiva pelo telefone, com extorsão na compra, além de falta da exclusão no sistema após liquidação do empréstimo, além de cobrança e créditos diferentes do contratado.

Tem que punir os abusos (Foto: Bankrate)

A investigação por parte do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) atinge os principais bancos como Bradesco, Itaú, Caixa Econômica Federal, Safra, Banco do Estado do Rio Grande do Sul, BMG, além de Olé Bonsucesso Consignado, Banco Pan e Cetelem. As instituições investigadas terão que demonstrar como os dados dos idosos foram utilizados, e como se deu a abordagem para a contratação.

O empréstimo consignado por ser a opção de crédito mais barata do que o crédito pessoal tem sido cada vez mais usado por aposentados, pensionistas e funcionários públicos. A facilidade de contratar e o pagamento feito em parcelas, descontadas diretamente do benefício, estimula o uso. Mas é preciso cuidado para não haver descontrole das finanças. Não se deve comprometer além de 15% dos rendimentos e só vale ser contratado em situação de emergência.

Diante da situação econômica recessiva e recorde de desemprego cada vez mais familiares recorrem aos idosos para tais empréstimos, se valendo muitas vezes da vulnerabilidade dessa faixa etária. Por isto, é importante a campanha educativa que o DPDC deve promover em parceria com o INSS para que os idosos denunciem quem desrespeita as normas, e também educativa, para estimular o uso adequado deste tipo de empréstimo.

Nada de contrair dívidas para bancar compras nem sempre urgentes de familiares. Não é justo, e vai reduzir, ainda mais, o que sobra para pagar contas, comprar remédios, alimentos e demais despesas.

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