Cheque especial continuará proibitivo

Claudio Considera

02 de dezembro de 2019 | 09h30

A limitação dos juros do uso do limite do cheque especial em 8% ao mês, a partir de Janeiro, causou surpresa, pelo fato de a equipe econômica, a começar pelo ministro Paulo Guedes, ser fortemente liberal. Finalmente o Banco Central descobriu algo que há muito tempo é consenso no resto do mundo: a elevada concentração bancária brasileira acarreta maiores juros e prejuízo ao consumidor.

(Foto: Estadão)

Os bancos têm desconhecido a redução da taxa Selic para o seu menor patamar desde que foi criada. Em média a taxa anual do cheque especial atinge 305,9%, índice para agiota nenhum colocar defeito. Cinco bancos concentram em torno de 75% do dinheiro movimentado em contas-correntes no país.

Embora tabelamentos não costumem dar certo, trata-se de uma tentativa de reduzir um pouco as absurdas taxas cobradas pelos bancos. O consumidor, contudo, nem deverá sentir o efeito desta medida, porque o teto cairá para ainda inexplicáveis 151,82%. Não há nenhuma aplicação e nem atividade produtiva que renda ao menos um décimo deste teto.

Além disso serão cobradas tarifas de todos os correntistas com cheque especial acima de 500 reais. Ou seja, o tabelamento pode até dar lucro para os bancos. Somente maior concorrência reduziria, de verdade, estes juros absurdos.

A propósito, 76 países limitam juros em crédito como mostrou matéria do Estadão deste domingo. Dentre eles, Canadá, França e Espanha.

A partir de Janeiro o consumidor deveria tomar uma atitude: cancelar o cheque especial com limite superior a 500 reais, caso contrário, será tarifado e pagará valores absurdos pelo uso deste dinheiro. Se precisar de crédito pode recorrer a linhas com juros mais em conta como o empréstimo pessoal ou o consignado.

Tendências: